Publicações fazem comparação incorreta para relativizar área queimada no País em 2020
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Publicações fazem comparação incorreta para relativizar área queimada no País em 2020

Textos reproduzidos no Facebook comparam dado parcial de oito meses deste ano a resultados consolidados de 12 meses dos anos anteriores

Tiago Aguiar

28 de setembro de 2020 | 16h13

É falso que a área total atingida por queimadas no Brasil em um ano do governo Lula seja quase cinco vezes maior do que a área queimada em 2020. Publicações que viralizaram no Facebook comparam o resultado parcial deste ano, dos últimos oito meses, com os dados consolidados dos 12 meses completos dos anos anteriores.

O ano com maior área queimada no País entre janeiro e agosto foi 2010 — foram 234,9 mil km² atingidos por focos de calor. Isso corresponde a pouco menos que o dobro da área queimada no mesmo período deste ano — 121,3 mil km². Estes dados são compilados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)A série histórica começa em 2003.

Os dados checados nesta verificação foram publicados pelos blogs “Terra Brasil Notícias” e “Portal Grande Ponto” com o título “Área queimada no país em 2020 é quase 5 vezes menor que em 1 ano de governo Lula”, e reproduzidos em postagens no Facebook. Os dois textos omitem que o segundo semestre de todo ano costuma concentrar a maior parte das queimadas em todo o Brasil. Além disso, não é possível dizer que uma grandeza é cinco vezes menor que outra: qualquer quantidade uma vez menor já é zero.

No último sábado, 26, a Secretaria de Comunicação do governo Jair Bolsonaro publicou uma comparação semelhante.

Entre janeiro e agosto deste ano, mais de 18,6 mil km² do Pantanal queimaram, área maior do que tudo o que foi destruído no bioma entre 2014 e 2019, ainda segundo o Inpe.

Na semana passada, o governo intensificou a retórica diante de acusações de má gestão ambiental. O vice-presidente Hamilton Mourão alegou que a divulgação de queimadas no País está sendo superdimensionada. Um dia antes, o presidente Jair Bolsonaro disse na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que  índios e caboclos têm culpa pelos incêndios florestais registrados na região amazônica, o que é falso.

Este conteúdo também foi verificado pelo site Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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