Publicação no Facebook fabrica taxa de desaprovação ao STF
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Publicação no Facebook fabrica taxa de desaprovação ao STF

Postagem exagera rejeição à atuação do Supremo; levantamento mais recente, do DataPoder360, apontou que 26% avaliavam Tribunal como 'ruim ou péssimo'

Tiago Aguiar

29 de junho de 2020 | 13h39

Uma publicação de 2019, com informação falsa sobre a popularidade do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a circular na última semana no Facebook com mais de 14 mil compartilhamentos. A postagem alega que 96% dos brasileiros avaliam o STF como “corrupto, imoral e inútil”, sem citar nenhuma fonte desta medição. Não há qualquer registro de pesquisas que apontem esse nível de desaprovação ao Tribunal.

Entre 2018 e 2020, duas pesquisas mediram a opinião dos brasileiros sobre o STF, organizadas pelos institutos DataPoder360 e Datafolha. O DataPoder360 divulgou pela primeira um levantamento sobre o Tribunal no último dia 15. Entre os entrevistados, 26% avaliavam o STF como “ruim ou péssimo”. O Datafolha fez medições em dezembro de 2019 e maio de 2020. O índice de pessoas que considerava a atuação do Supremo “ruim ou péssima” caiu de 39% para 26% entre as duas pesquisas.

Em agosto de 2017, uma pesquisa do instituto Ipsos indicou que a onda de rejeição a políticos e autoridades públicas tinha chegado ao Poder Judiciário, com aumento significativo da desaprovação a ministros do STF. O levantamento mediu a avaliação individual de ministros do Tribunal — no entanto, nenhum deles teve rejeição perto de 96%. Na época, o magistrado com taxa mais alta de desaprovação era Gilmar Mendes, com 67%.

Os últimos anos foram marcados por frequentes protestos contra o STF nas redes sociais e nas ruas. Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontam atuação de associação criminosa para a “desestabilização do regime democrático” com o objetivo de obter ganhos econômicos e políticos. A observação consta em decisão de quebra de sigilo decretada pelo magistrado em inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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