Publicação distorce dados econômicos de 2016 para atacar governo Bolsonaro
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Publicação distorce dados econômicos de 2016 para atacar governo Bolsonaro

Imagem que circula no Facebook cita valores errados de dólar, gasolina, desemprego e PIB

Alessandra Monnerat

26 de novembro de 2019 | 14h13

Para criticar o governo Bolsonaro, uma publicação no Facebook exagera ao comparar dados econômicos de 2016 e 2019. Na verdade, os valores do dólar e da gasolina eram mais altos que os citados na imagem compartilhada. Além disso, a taxa de desempregados era maior do que alega o post e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), menor.

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes na entrega de pacote de reformas ao Congresso. Foto: Dida Sampaio/Estadão – 5/11/2019

A página “Glenn Greenwald Brasil” (replicada em outras publicações) alega que o dólar em 2016 estava cotado em R$ 2,70 — mas o menor valor nominal da moeda naquele ano foi R$ 3,12, no dia 25 de outubro. Corrigido pela inflação, o dólar valeria hoje o equivalente a R$ 3,24, de acordo com levantamento feito pelo Projeto Comprova.

A publicação também não menciona que o dólar atingiu R$ 4,16 no dia 22 de janeiro de 2016. Com correção pela inflação, o valor fica ainda maior do que a cotação atual: R$ 4,43. Nesta segunda-feira, 25, a moeda americana fechou a R$ 4,21, em nova máxima histórica em termos nominais (sem correção pela inflação).

A imagem enganosa cita ainda preços errados de gasolina. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio de revenda do combustível em 2016 variou de R$ 3,63 (julho) a R$ 3,73 (dezembro) — e não R$ 2,85, como alega a publicação no Facebook. Neste ano, o preço médio de revenda da gasolina foi de R$ 4,19 (fevereiro) a R$ 4,55 (maio).

Outro número incorreto na postagem é o da taxa de desemprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação trimestral no País em 2016 variou de 10,9% (1º trimestre) a 12% (4º trimestre). O índice citado pela página de Facebook é bem menor: 6%. A taxa de desemprego do 3º trimestre de 2019 é de 11,8%.

A taxa de crescimento do PIB mencionada também é incorreta. A economia do Brasil não cresceu 3% em 2016; no último trimestre daquele ano, o PIB sofreu contração de 3,3% (índice acumulado em 12 meses).

Este conteúdo foi selecionado por meio da parceria entre Estadão Verifica e Facebook. A Agência Lupa também desmentiu essa imagem.

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