É antigo vídeo de protesto contra Lula em frente a hotel de Porto Alegre

É antigo vídeo de protesto contra Lula em frente a hotel de Porto Alegre

Gravação de 2018 circula sem contexto nas redes sociais para questionar cenário de favoritismo do ex-presidente em pesquisas eleitorais

Pedro Prata

14 de março de 2022 | 16h51

É antigo um vídeo que circula nas redes sociais que mostra manifestantes gritando palavras de ordem contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em frente a um hotel de Porto Alegre. A gravação é compartilhada fora de contexto nas redes sociais e dá a entender que seria recente. A filmagem foi feita em 2018, quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), localizado na capital gaúcha, estava prestes a julgar a condenação de Lula no caso do triplex do Guarujá.

Vídeo é de 2018, quando Tribunal julgava condenação de Lula. Foto: Reprodução

O vídeo mostra os manifestantes em frente ao hotel Sheraton Porto Alegre. Há pessoas carregando as bandeiras do Brasil e do Estado do Rio Grande do Sul. É possível ouvi-los gritando “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. O perfil que compartilhou esse vídeo questiona onde está o “cara que lidera pesquisas”, fazendo referência às pesquisas recentes que apontam Lula como o favorito do momento para vencer a eleição presidencial de 2022. A postagem também faz ofensas contra o trabalho dos institutos de pesquisa.

Ao realizar uma busca no Google com as palavras-chave “protesto Sheraton Porto Alegre Lula”, não há nenhuma notícia recente. Mas há a informação de um protesto no local em 23 de janeiro de 2018. O jornal Gaúcha-Zero Hora informou que o ato foi mobilizado pelos grupos MBL e Vem pra Rua. Eles pediam que o TRF-4 confirmasse a condenação proferida pelo ex-juiz federal Sergio Moro na Lava Jato. O site O Antagonista publicou o vídeo da manifestação. 

O julgamento do Tribunal sobre o caso ocorreria no dia seguinte. Parte da cúpula do PT estava hospedada no Sheraton Hotel para acompanhar o julgamento. Por unanimidade, os três desembargadores aumentaram a pena do ex-presidente para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A condenação seria ainda validada pelo Superior Tribunal de Justiça, com pena fixada em 8 anos e 10 meses de prisão. Mas foi anulada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que transferiu o foro da ação da Justiça Federal de Curitiba para o Distrito Federal. Posteriormente, a Justiça reconheceu a prescrição dos crimes imputados a Lula. Isso quer dizer que ele não pode mais ser condenado por eles e está apto a disputar as eleições presidenciais de 2022.

O vídeo da manifestação foi compartilhado pela ex-deputada federal Cristiane Brasil em 12 de março de 2022, em sua conta no Twitter com mais de 66 mil seguidores. Ela afirmou que o fato teria ocorrido no dia anterior e profere ofensas contra uma emissora de televisão por não ter noticiado o fato – que não ocorreu.

Pesquisas eleitorais apontam Lula como o candidato favorito ao Planalto no momento, seguido de Jair Bolsonaro (PL). Simpatizantes do presidente compartilham vídeos de protesto contra o petista sem o contexto necessário, questionando o cenário apontado pelas pesquisas. O Estadão Verifica já mostrou ser de 2018 um vídeo de agressões contra um ônibus que levava o ex-presidente em caravana pelo País.

Esse conteúdo também foi checado por Boatos.org.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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