Reação ao relatório da CPI da Covid: redes bolsonaristas resgatam vídeo de manifestantes contra Renan Calheiros

Reação ao relatório da CPI da Covid: redes bolsonaristas resgatam vídeo de manifestantes contra Renan Calheiros

Vídeo compartilhado sem o contexto original passa a ideia de que seja reação ao trabalho final da CPI da Covid

Pedro Prata

26 de outubro de 2021 | 16h21

Redes bolsonaristas voltaram a compartilhar o vídeo de uma manifestação organizada no início de setembro, em Maceió, contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O vídeo voltou a circular na mesma semana em que Calheiros apresentou o relatório da CPI da Covid, que imputa nove crimes ao presidente Jair Bolsonaro. Sem o contexto original, usuários nas redes sociais entendem que a manifestação ocorreu no final de semana seguinte à apresentação do relatório e que seria uma reação à conclusão da CPI.

Vídeo de manifestação antiga foi resgatado. Foto: Reprodução

Um usuário escreveu que a manifestação “retrata o descontentamento com o relator da CPI”. Outro pede a prisão dos senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), respectivamente presidente e vice-presidente da CPI. A confusão levou um usuário a publicar o vídeo no YouTube, em 23 de outubro, com a legenda “Acabou de acontecer: grande manifestação em frente a casa de Renan Calheiros”.

O Estadão Verifica utilizou a ferramenta CrowdTangle, de análise de redes sociais, para verificar quando o vídeo foi publicado primeiramente. As postagens mais antigas foram feitas em 8 de setembro. Um dia antes, apoiadores de Bolsonaro em várias cidades compareceram às manifestações convocadas pelo presidente para defender o governo. Nas imagens, manifestantes se reúnem na orla da praia de Ponta Verde, em Maceió, capital do Alagoas.

Foto: Reprodução/Facebook

O Estadão Verifica também procurou confirmar se o vídeo realmente foi gravado em frente ao apartamento de Calheiros. Uma busca no Google com as palavras “protesto”, “apartamento”, “Renan Calheiros” mostra que é comum ocorrerem protestos no local, já que Renan é um político tradicional de Alagoas.

Foto: Google/Reprodução

Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, de 2005, informava que ele morava num apartamento na praia de Ponta Verde, de frente para o mar. Com essa informação, procuramos o prédio no Google Maps.

Foto: Google Maps/Reprodução

Já o Google Street View permite ver qual é o prédio que fica no endereço. Ele possui um gramado em frente e coqueiros do outro lado da rua, o que condiz com as imagens do vídeo viral.

Foto: Google Street View/Reprodução

Foto: Google Street View/Reprodução

As notícias mais antigas sobre protestos no local permitem ver a fachada do prédio, como esta da revista IstoÉ. É o mesmo que aparece no Google Maps e no vídeo viral sobre o protesto do 7 de setembro de 2021.

Em 2018, manifestantes também protestaram em frente ao prédio de Renan Calheiros. Foto: IstoÉ/Reprodução

O relator da CPI da Covid tem sido alvo frequente de boatos nas redes sociais. Na semana passada, viralizou um vídeo no Twitter que acusava o filho de Renan, governador de Alagoas, de ser dono de um hotel a beira-mar em Maragogi. A informação é falsa.

Este conteúdo também foi checado por Boatos.org.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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