Promotores com camiseta ‘MP contra o golpe’ não têm relação com investigação de Flávio Bolsonaro
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Promotores com camiseta ‘MP contra o golpe’ não têm relação com investigação de Flávio Bolsonaro

Imagens foram tiradas de contexto para sugerir motivação política no caso; na verdade, fotos foram feitas em Belo Horizonte em 2016

Alessandra Monnerat

21 de janeiro de 2019 | 18h09

Imagens de integrantes do Ministério Público usando camisetas com os dizeres “MP contra o golpe” têm circulado nas redes sociais com mensagens que sugerem que os promotores envolvidos nas investigações do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz estariam politicamente motivados. No entanto, as fotos são de protestos em Belo Horizonte, Minas Gerais, e não têm relação com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), responsável pelo caso.

Flávio Bolsonaro em entrevista à TV Record Foto: Reprodução/TV Record

Os registros são de manifestações contra o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, em março de 2016. Em nota enviada ao Estadão Verifica, o MPRJ confirmou que as imagens mostram promotores do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Ao fazer uma busca por imagens com as palavras-chave “MP contra o golpe” é possível encontrar outras evidências que corroboram este fato: uma publicação do site Jornal GGN e um tweet de um perfil verificado de Belo Horizonte.

O próprio Flávio Bolsonaro repercutiu, em entrevista à Rede TV neste domingo, 20, as imagens com contexto falso. “Está circulando imagem de supostos promotores com camisas dizendo ‘sou do MP e sou contra o golpe’. É uma clara evidência de simpatia com o PT”, disse. “Na verdade, estão vendendo uma narrativa de que meu ex-assessor (Fabrício Queiroz) que pegava tudo (salário de assessores) e depositava na minha conta”, completou.

O procurador geral do MPERJ, Eduardo Gussem, afirmou nesta segunda-feira, 21, que o filho do presidente Jair Bolsonaro e outros 26 deputados estaduais fluminenses citados em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) são investigados na esfera civil por suspeita de improbidade administrativa.

Trechos de um documento do Coaf revelados na última semana pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostraram que Flávio Bolsonaro recebeu em sua conta pessoal 48 depósitos de R$ 2 mil feitos em um caixa eletrônico da Alerj e pagou R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa.

O Coaf também apontou que movimentações financeiras atípicas nas contas de Fabrício Queiroz atingiram R$ 7 milhões entre os anos de 2014 e 2017, segundo informou o colunista Lauro Jardim na edição deste domingo, 20, do jornal O Globo.

O boato foi enviado por leitores ao WhatsApp do Estadão Verifica(11) 99263-7900. No Twitter, uma das postagens com fotos fora de contexto teve 5 mil curtidas e 3 mil retweets.

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