Checamos o debate do ‘Estadão’ com pré-candidatos do PSDB à Presidência

Confira a veracidade do que disseram João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio Neto

Alessandra Monnerat, Pedro Prata e Victor Pinheiro

12 de novembro de 2021 | 19h16

Atualizada às 17h17 de 16 de novembro de 2021.

O Estadão promoveu nesta sexta-feira, 12, um debate com os três pré-candidatos do PSDB à Presidência. O Estadão Verifica verificou a veracidade das afirmações dos três políticos. Veja abaixo nossa checagem.

Pré-candidatos do PSDB em debate promovido pelo Estadão: Arthur Virgílio Neto, Eduardo Leite e João Doria. Foto: Felipe Rau/Estadão

João Doria, governador de São Paulo

Disputa de prévias

O que Doria disse: que disputou as únicas duas prévias realizadas até hoje no Brasil, em São Paulo.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. No Acervo do Estadão, há notícias que registram a realização de prévias em diferentes anos e por diferentes partidos. Em 1994, por exemplo, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia venceu a disputa interna do PMDB para se candidatar à Presidência. Dois anos depois, o jornal mostrou os problemas nas prévias do PT para as prefeituras de Diadema, Santos, Ipatinga (MG) e Goiânia (GO). Segundo a reportagem, a eleição interna para escolha dos candidatos do partido era tradição. A legenda também fez prévias para a Prefeitura de SP naquele ano.

Entre os tucanos, a disputa interna também ocorreu em outros anos. Em 1989, o Estadão mostrou que o PSDB tinha prévias marcadas para abril daquele ano. O secretário-geral do partido na época, Euclides Scalco, disse que, mesmo que não houvesse disputa, era importante acostumar os militantes à “prática democrática”. 

De fato, Doria participou de duas prévias no PSDB: em 2016, quando foi escolhido candidato à Prefeitura de São Paulo, e em 2018, eleito para disputar o governo do Estado.

Sobre a checagem, a campanha de Doria respondeu que “o candidato esteve presente, participou e venceu as duas prévias que o PSDB promoveu de forma organizada, com regras claras, e com outros postulantes entre os anos de 2016 e 2018. E frisa que João Doria foi vitorioso nas duas ocasiões”.

Escolas em tempo integral

O que Doria disse: que o Estado de São Paulo tem 2.030 escolas de tempo integral, com 1,1 milhão de alunos.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: não é bem assim. Em outubro, a Secretaria de Educação anunciou que serão 2.030 escolas do Programa Ensino Integral (PEI) no ano que vem, que atenderão mais de 1 milhão de alunos da educação básica. Atualmente, são 448 mil estudantes em 1.077 escolas de 308 cidades, segundo a secretaria.

A campanha de Doria confirmou que o dado citado pelo governador se referia ao “planejamento em execução”. De acordo com a assessoria, o anúncio supera em dois anos “a meta de ter 25% dos alunos em tempo integral até 2024”.

Eliminação de estatais

O que Doria disse: que o governo de São Paulo eliminou cinco estatais, liberando R$ 50 bilhões.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdade. Em resposta ao Estadão Verifica, a Secretaria de Governo de São Paulo informou que desde o início da gestão foram extintas cinco estatais: Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp), Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A – liquidação), além da incorporação da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp), que formaram a Nova Prodesp.

Ainda de acordo com a Secretaria, a movimentação liberou R$ 50 bilhões em recursos do Tesouro.

PEC dos precatórios

O que Doria disse: que nenhum dos sete deputados federais do PSDB de São Paulo votou a favor da PEC dos Precatórios, enquanto três parlamentares gaúchos do partido votaram a favor da medida. Também afirmou que Aécio Neves (MG), Paulo Abi-Ackel (MG) e Rodrigo de Castro (MG) apoiaram a proposta.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdade que nenhum deputado da bancada tucana paulista votou a favor da PEC. Também é fato que os parlamentares mineiros citados por Doria apoiaram a medida. Os representantes do Rio Grande do Sul, por outro lado, ajudaram a aprovar a proposta, mas são apenas dois parlamentares, não três, como diz Doria. A PEC permite ao governo adiar dívidas, driblar o teto de gastos e abrir espaço no Orçamento para o programa social Auxílio Brasil. Agora, precisa ser aprovada no Senado.

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul

Despesa com pessoal no RS

O que Eduardo Leite disse: que o Rio Grande do Sul foi o único Estado a reduzir a despesa nominal com pessoal em 2020.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O Rio Grande do Sul realmente teve redução de despesa com gasto de pessoal, de acordo com o Relatórios de Gestão Fiscal, do Tesouro Nacional. Mas não foi o único: Goiás também teve queda neste tipo de despesa.

O Estadão Verifica havia inicialmente informado que o RS teve alta na despesa com pessoal, pois baseou-se no Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais que utiliza uma metodologia diferente. A assessoria do governador contestou a classificação e apresentou novos dados. A reportagem confirmou as informações com o Tesouro Nacional e revisou a explicação.

Desmatamento no Brasil

O que Eduardo Leite disse: que o Brasil já  chegou a registrar desmatamento de 3 milhões de hectares de florestas por ano e que conseguiu reduzir para 400 mil hectares, mas que em 2020 voltou a aumentar para 1 milhão de hectares.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdadeiro. No País, o INPE é o responsável por registrar as taxas de desmatamento por meio do sistema PRODES. A série histórica, que começa em 1988, teve o maior índice em 1995, com 2,9 milhões de hectares desmatados na Amazônia legal. Já o menor valor foi atingido em 2012, com área desmatada de 457 mil hectares.

O governador do Rio Grande do Sul também acertou na taxa referente a 2020. Foram 1,08 milhão de hectares de florestas desmatados.

Pesquisa eleitoral

O que disse Eduardo Leite: que uma pesquisa eleitoral publicada pela revista Exame mostra João Doria com o dobro de sua rejeição.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdade. A revista publicou uma pesquisa nesta sexta-feira, 12, com o instituto de pesquisa em opinião pública IDEIA. Quando perguntados “em qual candidato você não votaria de jeito nenhum para presidente do Brasil”, 19% disseram João Doria e 8%, Eduardo Leite.

Documento

A sondagem ouviu, por telefone, 1.200 pessoas entre os dias 9 a 11 de novembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O ex-presidente Lula liderou as intenções de voto em todos os cinco cenários sugeridos pelo instituto. O presidente Jair Bolsonaro é o segundo colocado.

Eleições em SP

O que Eduardo Leite disse: que João Doria perdeu a eleição para governador na cidade de São Paulo.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdadeiro. Em 2018, João Doria se licenciou do cargo de prefeito da Capital para concorrer ao governo do Estado. Ele teve 2.447.309 votos (41,90% dos votos válidos) no 2º turno, na cidade. Doria ficou atrás de Márcio França (PSB), que levou 3.393.092 votos (58,10% dos votos válidos).

Arthur Virgílio Neto, ex-senador e prefeito de Manaus

Número de disputas eleitorais

O que disse Virgílio: que disputou 14 eleições e venceu 11.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é impreciso. O tucano participou de 11 eleições e acumulou oito vitórias. Em 1978, concorreu ao cargo de deputado federal em 1978, mas alcançou apenas a primeira suplência. Saiu vitorioso no pleito seguinte e, após mandato de quatro anos na Câmara, tentou, sem sucesso, a vaga de governador do Amazonas.

Em 1988, Virgílio disputou e venceu as eleições para prefeito de Manaus. Já em 1994, ele garantiu sua volta à Câmara dos Deputados e conquistou a reeleição na disputa eleitoral seguinte. Foi eleito senador em 2002 e exerceu mandato até 2010. Virgílio chegou a concorrer novamente ao governo do Amazonas em 2006, mas foi derrotado por Eduardo Braga (MDB). Em 2010, falhou ao tentar a reeleição para o Senado. Após dois anos, disputou e venceu as eleições para prefeitura da capital amazonense e foi reeleito em 2016.

Questionada pelo Estadão Verifica, a assessoria de imprensa de Virgílio afirmou que o número citado pelo ex-senador considera disputas de primeiro e segundo turno.

IDEB

O que disse Virgílio: que comandou a prefeitura que mais cresceu no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Entre 2013 e 2019, quando Virgílio comandou a prefeitura de Manaus, a nota dos alunos da rede municipal de ensino no Ideb cresceu, mas o aumento não foi o maior entre as capitais. Nesse período, entre os estudantes da 4ª série, houve saltos nas notas em Teresina (2,4) e Fortaleza (1,6). A nota dos alunos de Manaus subiu 1,3 ponto entre os dois anos, mesma melhora notada em Salvador.

Em relação aos alunos da 8ª série, Manaus também não registrou o maior crescimento. Teresina (2) e Recife (1,5) tiveram melhorias nas notas mais notáveis. Entre 2013 e 2019, o desempenho dos estudantes de Manaus subiu 1,4 ponto, mesmo patamar de Fortaleza.

Estadão Verifica entrou em contato com a assessoria de Virgílio sobre a checagem, mas não obteve resposta.

Número de filiados do PSDB

O que Arthur Virgílio disse: que há 30 mil votantes nas prévias do partido, entre 1,4 milhão de filiados. 

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: Os números citados por Virgílio são próximos aos informados em matéria publicada pelo Estadão nesta sexta-feira, 12. A reportagem afirma que o PSDB tem 1,3 milhão de filiados, mas apenas 2%, cerca de 28,5 mil, já estão cadastrados no aplicativo que permite votar nas prévias presidenciais da sigla. Dirigentes do partido admitem que a adesão está abaixo do esperado. Não é possível prever como serão as prévias em outras agremiações. 

Trajetória política

O que Virgílio disse: que foi prefeito três vezes, ministro-chefe da Secretaria Geral da República na gestão FHC e participou da elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: Arthur Virgílio assumiu a prefeitura de Manaus pela primeira vez em 1989. Voltou a comandar a capital amazonense em 2013 e conquistou a reeleição em 2016. O tucano foi ministro-chefe da Secretaria Geral da República entre 14 de novembro de 2001 e abril de 2002, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Como deputado federal, apoiou a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal no ano 2000. 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.