Posts usam vídeo gravado nas Filipinas para denunciar falso envolvimento de estrangeiros com desmatamento na Amazônia
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Posts usam vídeo gravado nas Filipinas para denunciar falso envolvimento de estrangeiros com desmatamento na Amazônia

Imagens foram feitas em Davao no início de agosto, mas tem sido utilizadas para afirmar que motoqueiros de Peru, Bolívia e Venezuela estão atuando ilegalmente no Brasil

Paulo Roberto Netto

23 de setembro de 2019 | 15h27

Um vídeo de quase um minuto gravado nas Filipinas tem sido utilizado para acusar falsamente motoqueiros de Peru, Bolívia e Venezuela de promover o desmatamento na Amazônia. A circulação das imagens é impulsionada pela polêmica sobre a preservação da floresta e a gestão ambiental do governo.

Rescaldo de incêndio em Santo Antônio do Matupi (AM). Queimadas acima da média provocaram crise na gestão ambiental do governo e motivam desinformações sobre o tema. Foto: Gabriela Biló / Estadão

O Estadão Verifica utilizou busca reversa de imagem em um frame do vídeo e identificou, em um dos resultados, notícia publicada no dia 6 de agosto pelo Yahoo Philippines com o vídeo em questão. As cenas mostram motoqueiros que ajudavam moradores da cidade de Davao, no sul do país asiático, a carregar toras de madeira. As cenas foram creditadas à agência Newsflare.

No site da Newsflare, a reportagem localizou o vídeo ao buscar por palavras-chave relacionadas. A gravação foi divulgada por um parceiro de conteúdo da agência no dia 06 de agosto.

Na descrição do vídeo, a autoria das imagens é atribuída a uma mulher chamada Rose Boyles, que solicitou ajuda dos motociclistas para retirar toras de madeira do seu quintal em troca de arroz.

No vídeo original, é possível notar que o idioma falado não é nem português nem espanhol. Nas Filipinas, os dois idiomas oficiais são o inglês e o filipino. Versões adulteradas da gravação tentam ocultar a voz da mulher narrando a passagem dos motociclistas.

Crise ambiental. Este é o boato mais recente da onda de desinformações sobre a gestão ambiental e preservação da floresta Amazônia que circula pelas redes sociais desde agosto passado. O Estadão Verifica e o projeto Comprova desmentiram boatos envolvendo a venda de solo da Amazônia e a internacionalização da área. Há também vídeos fora de contexto e acusações falsas contra personalidades públicas.

Boatos têm sido impulsionados principalmente por defensores do governo, após a revelação de que as queimadas na região amazônica estão acima da média.

Reportagem do Estado aponta que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), principais órgãos ambientais do País, podem ficar sem verba antes do fim deste ano. O PrevFogo, programa de combate à incêndios do Ibama sofreu corte de 29,7% em recursos, mesmo com a alta das queimadas.

Caminho da apuração. Para verificar o contexto deste vídeo, o Estadão Verifica utilizou o Google Imagens, ferramenta de busca reversa de imagens do Google, a partir de um frame (quadro) do vídeo.

Após o resultado apontar para a notícia do Yahoo, a reportagem localizou o vídeo original no site da Newsflare por meio de busca no site da agência com as palavras-chave “Philippines” e “Davao City”.

Este boato foi selecionado para verificação por meio da parceria entre o Estadão Verifica e o Facebook. Para sugerir verificações, envie uma mensagem para (11) 99263-7900.

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