Postagens tiram de contexto represamento no número de óbitos para contestar dimensão da pandemia
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Postagens tiram de contexto represamento no número de óbitos para contestar dimensão da pandemia

Ministério da Saúde aumentou número de campos de preenchimento obrigatório em sistema informatizado sem dar tempo para que municípios se preparassem para a mudança, o que resultou em redução de registros de mortes

Pedro Prata

26 de março de 2021 | 09h41

São enganosas as postagens nas redes sociais que dizem que diminuiu o número de pessoas mortas pela covid-19 em São Paulo após o Ministério da Saúde exigir o número de CPF dos falecidos. As publicações tiram a nova exigência de contexto para minar a confiança nos registros oficiais e falsamente contestar a dimensão da pandemia.

Na verdade, os números ficaram abaixo da média semanal na quarta-feira, 24, por causa de um represamento causado pela mudança no cadastro dos óbitos no sistema informatizado do ministério, alimentado pelos municípios. Depois de receber reclamações, o ministério voltou atrás na decisão, deixando de considerar obrigatório o preenchimento de novos campos, como o número do cartão SUS e a informação sobre a vacinação ou não da vítima de covid-19. 

Na quarta, o governo de São Paulo informou que o número divulgado, de 281 mortes, estava abaixo da média para a semana, que era de 532 até então. Isso não quer dizer que houve menos mortes, mas sim que muitas delas não puderam ser notificadas e repassadas ao Ministério da Saúde a tempo. O secretário de saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, justificou que “não se deixou prazo para que os municípios se habilitassem nessa mudança”. Segundo ele, as prefeituras “não conseguiram completar o preenchimento desses campos”. 

Horas depois de São Paulo anunciar o problema e dizer que isso poderia criar uma impressão artificial do impacto da pandemia, o Ministério da Saúde voltou atrás e suspendeu a obrigação. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou que a exigência de informar o CPF já estava em discussão, mas que é preciso dar tempo para que as secretarias de saúde possam se adequar à medida. Na quinta-feira, dia seguinte ao recuo do ministério, São Paulo informou a ocorrência de 599 óbitos. 

São Paulo não foi o único Estado a apontar problemas de preenchimento. O Mato Grosso do Sul informou 20 óbitos na quarta-feira, mas o secretário de saúde Geraldo Resende disse que “o número de mortes não representa a realidade e pode ser ainda maior”. No dia seguinte, o Estado notificou o registro de 60 mortes. 

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