Postagens falseiam patrimônio de Marisa Letícia

Postagens falseiam patrimônio de Marisa Letícia

Erro de digitação de advogados de Lula, noticiado em 2018, é usado para sugerir enriquecimento ilícito da ex-primeira-dama

Tiago Aguiar

03 de fevereiro de 2020 | 17h05

O patrimônio da ex-primeira-dama Marisa Letícia, falecida esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está aumentado em publicações falsas que circulam nas redes sociais. Versões de um mesmo texto indicam que o total de seu “testamento” seria de mais de R$ 60 milhões, e sugerem inação da Justiça para investigar o caso.

As postagens confundem testamento com inventário, que é o documento que dispõe a relação de bens de uma pessoa. O valor total que consta no registro é de R$ 12,3 milhões, e pode ser verificado no site do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo.

Quando outro boato a respeito do patrimônio de Marisa circulou, o Projeto Comprova verificou que  a soma de patrimônio do inventário é do casal. Portanto, a parte que cabe a Marisa é de cerca de R$ 6 milhões, o que foi compartilhado entre seus quatro filhos.

Em algumas versões do texto, o argumento é que um item do documento – “Fundo Imobiliário FII BB PRGII” – traz 500 mil cotas, o que totalizaria, em valores atuais, cerca de R$ 60 milhões apenas com este investimento. O caso, no entanto, tem origem num erro de digitação de uma versão elaborada pelos advogados de Lula. O valor correto é de 500 cotas. O erro foi noticiado pelo Estado em junho de 2018.

Marisa Letícia. Foto: Leonardo Soares/AE

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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