Postagens enganam ao relacionar participação de Lula em seminário com discurso de Bolsonaro na ONU
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Postagens enganam ao relacionar participação de Lula em seminário com discurso de Bolsonaro na ONU

Evento do qual o petista participará nesta quinta-feira já estava programado há dois meses

Pedro Prata e Tiago Aguiar

23 de setembro de 2020 | 18h41

São enganosas postagens que relacionam a participação de Luiz Inácio Lula da Silva em um seminário sobre educação com o discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O ex-presidente já estava convidado para falar no evento em questão, do qual a ONU é apenas parceira, antes da fala de Bolsonaro.

Uma postagem que afirma que a ONU convidou “Lula para discursar após fiasco de Bolsonaro” foi compartilhada mais de 8,3 mil vezes no Facebook. O post se baseia em um artigo do site Blog do Esmael publicado na terça-feira, 22. Porém, em nova matéria publicada nesta quarta-feira, 23, o blog afirma que foi contactado pelo Instituto Lula e diz que não há relação entre o convite e o pronunciamento de Bolsonaro.

“Segundo a assessoria do Instituto Lula, o evento no qual o petista irá participar amanhã (24) começou a ser construído em julho passado. ‘Não tem nada a ver com o discurso do Bolsonaro’”, esclarece o blog. “Ainda de acordo com o Instituto Lula, a divulgação da fala do ex-presidente ocorreu antes do discurso de Bolsonaro.”

Ao Estadão Verifica, o Instituto Lula informou que o convite inicial foi feito em 10 de julho.

Postagens enganam ao relacionar participação de Lula com discurso do Bolsonaro. Foto: Reprodução

Lula falará em evento sobre educação

A Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura (ICESCO) convidou o ex-presidente Lula para discursar no webinário internacional “Os Papéis Necessários da Educação para Alcançar as Sociedades que Queremos”. O intuito, segundo a organização, é “criar diálogo internacional e discutir o futuro da educação”.

O evento contará com ministros da Educação de vários países e especialistas internacionais. Outros convidados eminentes serão o ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2014, Kailash Satyarthi, e o diretor-geral da ICESCO, Salim M. Al Malik. O evento conta com o apoio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a Campanha Brasileira pelo Direito à Educação e o Instituto Lula.

Bolsonaro abriu Assembleia-Geral da ONU

Como manda a tradição, o Brasil abriu os debates da 75ª Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira, 22. Seu discurso foi pautado pela postura defensiva em questões como a preservação do meio ambiente e o combate à pandemia de covid-19.

Criticado pela condução da crise do coronavírus, o presidente insistiu na narrativa contra o isolamento social, usou informações falsas sobre a pandemia e defendeu a hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19.

O presidente colocou a culpa de queimadas em ‘índios e caboclos’ e exagerou valor pago aos mais pobres no auxílio emergencial. O Estadão Verifica checou os pontos levantados por Bolsonaro.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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