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Postagem usa foto de casal para resgatar boato de que crianças são sequestradas para tráfico de órgãos

Imagem fora de contexto mostra condenado por abuso sexual e mulher inocente

Pedro Prata

02 de março de 2020 | 18h39

Uma postagem usa a foto de um casal para espalhar boato falso de que crianças estariam sendo sequestradas para tráfico de órgãos por dois paraguaios. A publicação distorce um caso antigo, que ocorreu em 2015.

O homem na foto é José Graziano Portes Galvani. Ele era procurado pela polícia por ter abusado sexualmente da filha e foi preso preventivamente em 9 de abril de 2015. Em seu processo não houve informações sobre tráfico de órgãos de crianças.

José foi condenado a 27 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável e por gravar vídeos sexuais de crianças. Ele cumpre pena em regime fechado no Centro de Ressocialização de Cuiabá, e sua pena deverá acabar em 26 de abril de 2042.

A mulher que também aparece na imagem é Francineide, ex-mulher de José e mãe de uma das meninas abusadas. Ela se separou dele assim que sua filha revelou a violência que sofreu, e não tem qualquer envolvimento com o crime. Em entrevista ao G1 em 2015, Francineide afirmou que chegou a receber ameaças nas redes sociais por conta dos boatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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