Postagem tira de contexto vídeo de ato em que bonecos de ministros do STF são jogados na lixeira
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Postagem tira de contexto vídeo de ato em que bonecos de ministros do STF são jogados na lixeira

Manifestação ocorreu em Porto Alegre em 2019, contra Lei de Abuso de Autoridade

Gabi Coelho, especial para o Estado

10 de setembro de 2020 | 16h18

Circula no Facebook um vídeo em que manifestantes jogam no lixo bonecos que representam ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma publicação com mais de 16 mil compartilhamentos engana ao tratar o ocorrido como se fosse recente. A gravação, na verdade, é de um protesto do dia 25 de agosto de 2019, em Porto Alegre. Na ocasião, os participantes do ato pediram que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetasse totalmente a Lei de Abuso de Autoridade.

Base eleitoral de Bolsonaro em Porto Alegre usa bonecos para simular agressão em membros do STF

Na semana anterior à manifestação, o projeto foi aprovado no Congresso. Com isso, movimentos como Nas Ruas e Vem Pra Rua convocaram atos em dezenas de cidades brasileiras. O objeto era não só pressionar o presidente, mas também pedir o impeachment do presidente do STF, Dias Toffoli, e do ministro Gilmar Mendes. A manifestação também foi marcada pelo apoio ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e à Lava Jato. 

Os participantes do ato jogaram água e sabão nos bonecos vestidos de ministros e os arremessaram em uma lixeira, com o hino nacional tocando ao fundo. Enquanto isso, algumas pessoas usavam vassouras para simular uma agressão aos integrantes do STF. 

Após serem lavados com água e sabão, os bonecos foram arremessados em uma lixeira aos gritos de “dá porrada nele”. Foto: Reprodução/Facebook

Não é a primeira vez em que ataques como esse ocorrem em manifestações. Em 2018, também em Porto Alegre, o movimento Vem Pra Rua realizou um ato em que bonecos de ministros do STF foram queimados. O protesto era a favor da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lei de Abuso de Autoridade

Mesmo com a pressão da base eleitoral de Bolsonaro, o Congresso aprovou a legislação em agosto e derrubou no dia 24 de setembro de 2019  cerca de 18 vetos feitos pelo presidente. A lei de Abuso de Autoridade entrou em vigor em janeiro deste ano, fazendo com que agentes públicos possam ser punidos criminalmente por diversas condutas. 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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