Postagem inventa ameaça de Gilmar Mendes a Dias Toffoli
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Postagem inventa ameaça de Gilmar Mendes a Dias Toffoli

Não há registro que ministro do Supremo tenha dito que 'se cair, levo os dez comigo'

Tiago Aguiar

30 de julho de 2020 | 15h29

Um boato falso alega que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez uma ameaça ao presidente da Corte, Dias Toffoli. Na imagem que circula no Facebook, é mencionado que Gilmar sugeriu ou disse que “se eu cair, levo os [outros] dez [ministros do Supremo] comigo”. O Estadão Verifica não encontrou registro de qualquer diálogo nesse sentido, mesmo por discurso indireto em colunas que abordam bastidores do Poder Judiciário.

Através da busca avançada do Google e do serviço CrowdTangle, constatamos que as primeiras publicações nas redes sociais sobre a suposta ameaça são da peça de desinformação, que voltou a circular neste mês. Os primeiros posts com a fala inventada de Gilmar são de 2019 (leia mais abaixo).

A onda de compartilhamentos mais recente coincide com embates e o ministério da Defesa e Mendes. No último dia 11, o ministro disse que “o Exército está se associando a esse genocídio”, referindo-se à crise sanitária instalada no País em meio à pandemia do novo coronavírus.

Do dia 11 em diante foi crescente o número de páginas e perfis que compartilharam o boato, o que coincide com a repercussão da fala de Gilmar sobre o Exército. Integrantes do governo federal criticaram a declaração e o Ministério da Defesa anunciou e encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral da República contra o ministro, alegando violação da Lei de Segurança Nacional.

Histórico de compartilhamentos da peça de desinformação

As primeiras postagens com a peça são do dia 8 de fevereiro de 2019. Naquele dia, foi divulgado que o ministro do Supremo e sua mulher, Guiomar Feitosa Mendes, foram citados em procedimento da Receita Federal que apura “possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência”.

Na época, Gilmar atribuiu a servidores da Receita “abuso de poder”e pediu investigação a Toffolidecisão que foi acatada. Ainda assim, a postagem no Facebook que inventa ameaça do ministro extrapola limites de figura de linguagem.

O momento de maior circulação da imagem foi em novembro de 2019, logo após a decisão do STF que derrubou a possibilidade de prisão em segunda instância e abriu caminho para a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No final de semana logo após o julgamento, diversos protestos contra o Supremo ocorreram no Brasil.

Estadão Verifica tentou contato com a assessoria de Gilmar, mas não obteve resposta até a publicação desta checagem.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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