Post que fala em ‘futuro sem isolamento social’ usa fotos não relacionadas a coronavírus
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Post que fala em ‘futuro sem isolamento social’ usa fotos não relacionadas a coronavírus

Imagens publicadas em postagem viral são de massacre no Egito e tragédia em Brumadinho

Alessandra Monnerat

17 de abril de 2020 | 13h32

Veja todas as checagens sobre coronavírus publicadas pelo Estadão Verifica.

Uma postagem no Facebook com mais de 21 mil compartilhamentos desde o dia 21 de março usa duas fotos não relacionadas à pandemia do coronavírus para afirmar que “esse será o futuro breve do Brasil, se não fizermos o isolamento social”. Veja a publicação abaixo.

Fotos não têm relação com coronavírus. Foto: Reprodução/Facebook

A primeira foto é de 15 de agosto de 2013. Na imagem, egípcios velam corpos em uma mesquita em Cairo. No dia anterior à foto, o Exército do país utilizou tanques, helicópteros e atiradores de elite para massacrar ao menos 230 apoiadores do então presidente deposto Mohamed Morsi. O ataque deflagrou uma das piores ondas de violência já registradas no Egito. 

O crédito da foto é de Mahmoud Khaled, da agência AFP.

A segunda imagem utilizada na postagem do Facebook é do ano passado, e mostra o trabalho de resgate durante a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. Na ocasião, a barragem da mina do Córrego do Feijão, da empresa Vale, colidiu e deixou 259 mortos e 11 desaparecidos.

O crédito da foto é de Washington Alves, da agência Reuters.

De qualquer maneira, o isolamento social é uma das principais medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no enfrentamento ao coronavírus. Projeções indicam que o número de mortos pela covid-19 podem ser significativamente mais altos caso não sejam respeitadas iniciativas de distanciamento. No Estado de São Paulo, a quarentena foi prorrogada até dia 10 de maio. Até lá, comércio e serviços não essenciais permanecem fechados com o intuito de diminuir a circulação de pessoas.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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