Post no Facebook distorce fatos sobre combate a coronavírus em Curitiba
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Post no Facebook distorce fatos sobre combate a coronavírus em Curitiba

Embora não haja decreto proibindo funcionamento de comércio na capital paraense, maior parte das lojas está fechada e serviços municipais foram suspensos; Curitiba registrou três mortes pela covid-19

Alessandra Monnerat

07 de abril de 2020 | 19h00

Uma postagem enganosa no Facebook dá a entender que a capital paranaense, Curitiba, não teve mortes pelo novo coronavírus porque o prefeito Rafael Greca (DEM) não fechou o comércio da cidade. De fato, não houve um decreto municipal ordenando o fechamento de estabelecimentos comerciais; porém, desde 20 de março o governo do Estado recomendou a suspensão do funcionamento de shopping centers, galerias, centros comerciais, academias, centros de ginásticas e esportes em geral.

Na data da postagem enganosa (3 de abril) realmente não havia registro de nenhuma morte pela covid-19 em Curitiba. Na segunda-feira, 6, no entanto, a capital paranaense registrou as três primeiras mortes por coronavírus. Na ocasião, o prefeito Rafael Greca falou da necessidade de “ampliar o isolamento social”. Ao todo, são 15 óbitos no Estado, segundo a Secretaria Estadual da Saúde do Paraná.

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A cidade de Curitiba está em situação de Emergência de Saúde Pública desde o dia 16 de março, segundo definição do decreto municipal 421/2020. Outro decreto, o 470/2020, delimitou as atividades essenciais que devem funcionar na capital, como serviços de saúde, de segurança e de alimentação.

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A assessoria de imprensa da prefeitura explicou, por telefone, que embora não haja um decreto de proibição, a maior parte do comércio de Curitiba está fechado. Outras estratégias de contenção foram adotadas, como o fechamento de serviços municipais e a suspensão de atividades de comemoração do aniversário da capital.

Em nota, o governo da cidade adicionou que “embora o município tenha autonomia constitucional para decidir a respeito das medidas de enfrentamento ao covid-19, todas as decisões são motivadas e atendem em absoluto respeito às diretrizes técnicas da Saúde”.

Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde defendem o isolamento social como estratégia de combate ao coronavírus.

Boato no Facebook. Foto: Reprodução/Facebook

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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