Para promover Bolsonaro, post distorce dados sobre produção de máscaras em Pernambuco
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Para promover Bolsonaro, post distorce dados sobre produção de máscaras em Pernambuco

Publicação no Facebook afirma que governo federal teria transformado produção local de equipamentos de proteção na maior do Brasil

Samuel Lima, especial para o Estado

24 de abril de 2020 | 15h27

Leia a versão em espanhol

É falso que o governo de Jair Bolsonaro tenha transformado o Polo de Confecções de Pernambuco “no maior produtor de máscaras e EPIs” durante a pandemia do novo coronavírus. A afirmação consta em postagem enganosa com mais de 2 mil compartilhamentos e 160 mil visualizações no Facebook. 

O post também desinforma ao afirmar que a situação ocorreu após o governador do estado, Paulo Câmara, do PSB, não dar “a mínima importância” para a questão. A postagem afirma ainda que o acerto se deu diretamente entre o governo federal e a Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, um dos municípios que integram o polo econômico — o que também não é verdade.

Postagem enganosa atribui ao governo federal financiamento do Polo Têxtil de Pernambuco. Foto: Reprodução/Facebook

O Estadão Verifica entrou em contato com o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieira (PSDB), e o questionou a respeito do suposto contato do governo federal. Vieira afirma que a prefeitura nunca foi procurada pela equipe de Bolsonaro e que o Polo de Confecções de Pernambuco está, na verdade, produzindo máscaras e aventais com apoio do governo do estado, a partir da abertura de linha de crédito de R$ 6 milhões pela Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE) para aquisição de matéria-prima.

O governo também investiu na produção de manual técnico, capacitação e habilitação de empresas por meio do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções de Pernambuco (NTCPE), organização social contratada para executar políticas públicas no setor têxtil. O caderno técnico com protótipos de equipamentos de proteção pode ser baixado no site do NTCPE, que também lista 68 fornecedores homologados com selo de conformidade do projeto.

De acordo com o presidente da organização, Wamberto Barbosa, a capacidade atual de produção do polo de confecções é de 20 milhões de peças por mês. Ele esclarece que as máscaras são de tecido e, portanto, não são utilizadas por profissionais da área da saúde. As vendas são direcionadas para empresas, administrações públicas e população em geral.

A reportagem solicitou as medidas do governo federal em relação ao polo de confecções do agreste de Pernambuco à assessoria de comunicação do Planalto. Porém, não houve resposta até a publicação desta verificação.

Estadão Verifica não encontrou referências que confirmassem apoio federal à produção pernambucana. No dia 7 de abril, o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que ia “colocar um valor” no polo têxtil de Pernambuco, mas não citou nenhuma ação concreta.

Jair Bolsonaro acumula desentendimentos com governadores do Nordeste durante sua gestão. No ano passado, durante visita à Bahia, o presidente afirmou ao Estado que as lideranças da região “querem a divisão do país”. Bolsonaro também chamou Paulo Câmara de “espertalhão” por fazer propaganda da versão estadual do 13º salário do Bolsa Família em outubro de 2019. O Estadão Verifica mostrou que é falsa a afirmação de que Câmara copiou a iniciativa federal.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

El polo de confecciones de Pernambuco fabrica máscaras con incentivo del gobierno estadual

ABRIL 24, 2020

Es falso que el gobierno de Jair Bolsonaro haya transformado el Polo de Confecciones de Pernambuco “en el mayor productor de máscaras y EPIs” durante la pandemia del nuevo coronavirus. La afirmación consta en un posteo engañoso que fue compartido más de 2000 veces y tuvo 160.000 visualizaciones en Facebook.

La publicación también desinforma al asegurar que la situación ocurrió luego de que el gobernador del estado, Paulo Câmara, del PSB, no le diera “la menor importancia” a la cuestión. Además, se menciona que el acuerdo se dio directamente entre el gobierno federal y la Municipalidad de Santa Cruz de Capibaribe, uno de los municipios que integran el polo económico, lo que tampoco es verdad.

Estadão Verifica contactó al intendente de Santa Cruz de Capibaribe, Edson Vieira (PSDB), y le preguntó acerca del supuesto contacto del gobierno Federal. Vieira afirma que el equipo de Bolsonaro nunca buscó comunicarse con la municipalidad y que el Polo de Confecciones de Pernambuco está, efectivamente, fabricando máscaras y delantales con el apoyo del gobierno del estado, a partir de la apertura de una línea de crédito de R$ 6 millones por parte de la Agencia de Emprendedorismo de Pernambuco (AGE) para adquirir la materia prima.

Además, el gobierno invirtió en la producción de un manual técnico, en capacitación y habilitación de empresas por medio del Núcleo Gestor de la Cadena Textil y de Confecciones de Pernambuco (NTCPE), organización social contratada para ejecutar políticas públicas en el sector textil. El material técnico con prototipos de dispositivos de protección se puede descargar en el sitio web de NTCPE. También incluye una lista de 68 proveedores homologados con sello de conformidad del proyecto.

De acuerdo con el presidente de la organización, Wamberto Barbosa, la capacidad actual de producción del polo de confecciones es de 20 millones de piezas por mes. Barbosa aclara que las máscaras son de tejido y, por lo tanto, los profesionales del área de la salud no las utilizan. Las ventas están direccionadas a empresas, administraciones públicas y población en general.

El reportaje solicitó a la asesoría de comunicación del Palacio do Planalto las medidas del gobierno federal referentes al polo de confecciones del agreste de Pernambuco. Sin embargo, no hubo respuesta hasta la publicación de esta verificación.

Estadão Verifica no encontró referencias que confirmaran el apoyo federal a la producción pernambucana. El 7 de abril, el entonces ministro de Salud Luiz Henrique Mandetta dijo que iba a “destinar un valor” para el polo textil de Pernambuco, pero no citó ninguna acción concreta.

Durante su gestión, Jair Bolsonaro acumuló desentendidos con gobernadores del Nordeste. El año pasado, durante su visita a Bahía, el presidente afirmó a Estadão que los liderazgos de la región “quieren la división del país. Por otro lado, Bolsonaro tildó a Paulo Câmara de “astuto” por haber divulgado la versión estadual del aguinaldo (salario extra) para el Subsidio Familiar, en octubre de 2019. Estadão Verifica mostró que es falsa la afirmación de que Câmara copió la iniciativa federal.

Se chequeó este rumor por haber aparecido entre los principales contenidos sospechosos que circulan por Facebook. Estadão Verifica tiene acceso a una lista de publicaciones potencialmente falsas y a datos sobre su viralización en virtud de la alianza establecida con la red social. Cuando nuestras verificaciones constatan que un contenido es engañoso, Facebook reduce el alcance de su circulación. Los usuarios de la red social y los administradores de páginas reciben notificaciones en el caso de que hayan publicado o compartido publicaciones marcadas como falsas. También se envía un aviso a quien quiera publicar un contenido que anteriormente haya sido marcado como no verídico.

Un prerrequisito para participar de la alianza con Facebook es obtener la certificación de la Red Internacional de Verificación de Datos (IFCN, por sus siglas en inglés). Estadão Verifica obtuvo dicha certificación en enero de 2019. La IFCN exige que las entidades certificadas firmen un código de principios y asuman compromisos en cinco áreas: no partidismo e imparcialidad; transparencia de las fuentes; transparencia del financiamiento y de la organización; transparencia de la metodología y una política de correcciones abierta y honesta. El compromiso con estas prácticas promueve más equilibrio y precisión en el trabajo.

 

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