Polícia não apreendeu tacos de beisebol com arame farpado em manifestações
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Polícia não apreendeu tacos de beisebol com arame farpado em manifestações

Objetos eram vendidos a fãs da série ‘The Walking Dead’ no site Mercado Livre e foram retirados do ar

Pedro Prata

12 de junho de 2020 | 15h21

Circula nas redes sociais uma foto de tacos de beisebol com arame farpado, que teriam sido apreendidos em manifestações contrárias ao presidente Jair Bolsonaro. “Você leva isso para a manifestação e a grande mídia ainda te chama de ‘a favor da democracia’”, diz uma publicação no Facebook. A mensagem, no entanto, é falsa. Usando o mecanismo de busca reversa do Google, o Estadão Verifica identificou que a imagem utilizada na postagem foi retirada de um anúncio no site Mercado Livre.

Boatos afirmam que objetos foram levados por manifestantes contrários a Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

“Produto decorativo ou para fãs da série The Walking Dead”, informava a descrição do produto de um vendedor de Rio Claro, no interior de São Paulo. Os bastões eram feitos de madeira maciça de eucalipto e arame de aço zincado. Tinham 70 cm de comprimento e pesavam 1,3 kg. A descrição dizia ainda que se destinava a adultos. O produto foi retirado da plataforma.

A série de televisão The Walking Dead narra a história de pessoas tentando sobreviver a um apocalipse zumbi. O personagem Negan tem um taco de beisebol com arame farpado que ele chama de Lucille. A imagem utilizada no boato permite ver que ele tem o nome Lucille gravado.

A pandemia de covid-19 impediu os produtores de gravar o último episódio da série. “O final planejado será um episódio especial (a ser exibido) mais adiante no ano“, informou a rede AMC no Twitter.

Anúncio com os tacos de beisebol e arame foi retirado do ar. Foto: Reprodução

O Estadão Verifica já checou boatos sobre as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro ocorridas em 31 de maio e 7 de junho. A foto de um grupo queimando uma bandeira do Brasil é de 2016, não do protesto das torcidas organizadas. Outra imagem, tirada em 2017, mostrava um policial recolhendo a bandeira brasileira do chão e também foi tirada de contexto.

Este boato também foi checado pela Agência Lupa e Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.