É falso que presidente da Petrobras tenha dito que alta na gasolina é culpa de dívida com EUA

É falso que presidente da Petrobras tenha dito que alta na gasolina é culpa de dívida com EUA

Joaquim Silva e Luna não mencionou dívida com Departamento de Justiça americano ao falar sobre aumento de preços; empresa pagou R$ 853 milhões, não bilhões

Jullie Pereira, especial para o Estadão

20 de janeiro de 2022 | 16h54

É falso que o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, tenha dito que a companhia está pagando indenização de R$ 880 bilhões aos Estados Unidos por causa de desvios cometidos durante gestões dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, como afirma postagem compartilhada nas redes sociais. O Estadão Verifica não encontrou registro da entrevista mencionada no post e a Petrobras confirmou que a declaração nunca foi feita.

Uma postagem com 1,2 mil compartilhamentos no Facebook afirma que Silva e Luna teria dito à Jovem Pan que “estamos terminando de pagar a ação indenizatória que o povo americano entrou na justiça por causa dos roubos que Lula e Dilma roubaram da Petrobras e fez a empresa quase falir (sic)“. A indenização seria de R$ 880 bilhões, o que teria encarecido o preço da gasolina.

A postagem foi publicada no dia 14 de janeiro e diz que Joaquim Silva e Luna teria participado de entrevista na Jovem Pan no dia anterior. Mas na programação do veículo do dia 13 de janeiro não houve participação do presidente da Petrobras. 

Em nota, a Petrobras confirmou que as declarações não foram feitas por ele. “O trecho citado não corresponde às declarações feitas pelo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, nas entrevistas ao veículo mencionado”, diz. 

A última entrevista de Silva e Luna à Jovem Pan ocorreu em 23 de novembro de 2021, no programa Os pingos nos Is. Nela, o presidente fala sobre o pré-sal, a direção da Petrobras, o aumento do preço da gasolina e os investimentos na empresa. Sobre o preço do combustível, Silva e Luna nega que a Petrobras tenha interferência na alta dos valores cobrados aos consumidores. Ele não faz qualquer relação entre valores de dívidas que estejam sendo pagas e o aumento nos postos. 

“A contribuição da Petrobras no preço da gasolina é de R$2,33″, disse ele. “Ela tá chegando a R$7, a R$8, mas isso não é Petrobras. [Desse valor] 27% são de etanol, outra parte são tributos federais, ICMS, PIS, Cofins e no final chega o preço desse montante. Tem a própria revenda que acrescenta. A contribuição da Petrobras no preço é pequena, se tem algo que possa ser feito não seria aqui na Petrobras”. 

A entrevista mais recente concedida por Joaquim Silva e Luna à imprensa foi ao Estadão/Broadcast. Como justificativa para o aumento do preço da gasolina, o presidente diz que a regulação parte do mercado. “Ainda há pessoas que consideram, por desinformação ou outro motivo, que a Petrobras deva ser responsável pela redução de preço. Ela não tem condições de fazer isso”, disse, em 8 de janeiro deste ano. 

Petrobras e EUA

Em outubro de 2021 a Petrobras anunciou que concluiu o pagamento de US$ 853,2 milhões à Securities and Exchange Comission (SEC), previsto em acordo judicial assinado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), divulgado em setembro de 2018. Segundo a Petrobras, o acordo foi “de não acusação relacionado aos nossos controles internos, registros contábeis e demonstrações financeiras durante o período de 2003 a 2012”. 

Em 2018, a empresa anunciou que pagaria US$ 2,9 bilhões para encerrar uma ação coletiva feita por investidores estrangeiros contra a estatal. A ação foi movida em Nova York. À época, a alegação era de que os investidores foram enganados ao comprar ações enquanto ocorria um esquema de corrupção dentro da empresa.

Essa checagem também foi feita pelo G1


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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