Perfis bolsonaristas distorcem ação de combate ao coronavírus no Pará
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Perfis bolsonaristas distorcem ação de combate ao coronavírus no Pará

Iniciativa do governo colocou detentos para pintar pontos de ônibus, e não vigiar pessoas

Alessandra Monnerat

11 de abril de 2020 | 15h28

Em ação de combate à disseminação do novo coronavírus, 30 detentos da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Pará pintaram marcações no chão de pontos de ônibus da Região Metropolitana de Belém para determinar distâncias de 1 metro. O objetivo é orientar as pessoas a se manterem afastadas, de maneira a evitar aglomerações e, dessa forma, prevenir o contágio. Nas redes sociais, no entanto, a iniciativa foi distorcida por perfis bolsonaristas, que passaram a divulgar que os presos vigiariam as pessoas nos pontos de ônibus paraenses.

Os posts enganosos reproduzem um vídeo em que o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), fala sobre essa ação. Ele diz o seguinte: “Nós estaremos com os presos fazendo marcações das paradas de ônibus da região metropolitana. Vamos botar essa turma para trabalhar e ajudar nesse momento. Portanto, os presos estarão trabalhando na marcação das paradas de ônibus para orientar a população e, com isso, evitar aglomeração, com essa distância de 1 metro para cada cidadão que esteja nas paradas.”

Marcações no chão de pontos de ônibus de Belém. Foto: Pedro Guerreiro / Ag.Pará

No Twitter, o perfil de Helder Barbalho respondeu às contas que republicaram o vídeo. “Fake news é crime”, publicou a conta do governador. “Os detentos estão trabalhando para demarcar espaços de distanciamento social nas paradas de ônibus de Belém e não para vigiar as pessoas”.

Diversos perfis bolsonaristas no Twitter divulgaram o boato de que o governo do Pará colocaria presos para vigiar as paradas de ônibus, entre eles o do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), do deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) e da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que apagou o post. O vídeo de Barbalho também foi compartilhado no Facebook.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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