Para exaltar governo Bolsonaro, vídeo distorce informações sobre asfaltamento da Transamazônica
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Para exaltar governo Bolsonaro, vídeo distorce informações sobre asfaltamento da Transamazônica

Gravação que viralizou nas redes sociais mostra trecho da rodovia que já havia sido asfaltado antes de 2019

Alessandra Monnerat

22 de janeiro de 2020 | 15h43

Um vídeo compartilhado mais de 21 mil vezes no Facebook exalta o governo de Jair Bolsonaro por ter asfaltado um trecho da rodovia Transamazônica, a BR-230. O motorista filma a estrada e diz estar no Km 110. Essa parte da via, no entanto, não foi pavimentada no ano passado.

O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) informou que o quilômetro 110 da Transamazônica foi asfaltado “anos atrás”. De acordo com o órgão, a última obra inaugurada na rodovia foi entre os km 0 e 12,1. Outro trecho de 13 km foi pavimentado em região próxima à tribo Parakanã, mas ainda não foi inaugurado.

Trecho mostrado em vídeo já estava asfaltado antes do governo Bolsonaro. Foto: Reprodução/Facebook

O vídeo analisado pelo Estadão Verifica, que tem a marca do deputado estadual Anderson Moraes (PSL-RJ), também engana ao contrapor partes diferentes da Transamazônica. O objetivo é fazer parecer que o governo Bolsonaro transformou o que as gestões anteriores não conseguiram.

Na primeira parte do vídeo, que tem legenda “Transamazônica nos governos do PT”, é mostrado um trecho da rodovia conhecido como Ladeira da Onça, próxima ao município de Brasil Novo, no km 48. A filmagem foi feita em 2018, de acordo com reportagem veiculada no “Bom Dia Pará”. O presidente na época era Michel Temer (MDB).

A Transamazônica já foi alvo de outros boatos online. Em julho do ano passado, o Estadão Verifica mostrou que, ao contrário do que afirmavam posts online, o governo não havia concluído as obras de pavimentação de toda a rodovia. 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas: apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.  

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