Para atacar políticos de esquerda, grupos no WhatsApp espalham citações falsas sobre Lázaro Barbosa

Para atacar políticos de esquerda, grupos no WhatsApp espalham citações falsas sobre Lázaro Barbosa

É falso que Marcelo Freixo, Guilherme Boulos e Maria do Rosário tenham feito declarações defendendo 'serial killer do DF'

Natália Santos, especial para o Estadão

29 de junho de 2021 | 12h17

Após a captura e morte de Lázaro Barbosa, conhecido como “serial killer” do Distrito Federal, passaram a circular no WhatsApp imagens com declarações falsamente atribuídas a figuras da esquerda, como os deputados federais Marcelo Freixo (PSB-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) e o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL). Essas frases tentam relativizar os crimes dos quais Lázaro é acusado. O Estadão Verifica buscou nas redes sociais e em órgãos de imprensa, mas não encontrou registros de que os políticos citados tenham defendido o criminoso.

Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo por WhatsApp, (11) 97683-7490.

Uma imagem de Freixo que circula no WhatsApp atribui falsamente a ele a seguinte citação: “Nossa comitiva de advogados já convenceu o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de que Lázaro é uma vítima da perseguição policial aos negros!” O deputado desmentiu nas redes sociais a postagem e disse que jamais colocou advogados à disposição do serial killer. 

No aplicativo de mensagens também circula uma foto de Boulos em entrevista à Jovem Pan. A frase que acompanha a imagem diz que a perseguição a Lázaro é injusta e um caso de racismo estrutural; e que a “polícia assassina quer fazer o trabalho sujo dos fascistas bolsonaristas”. A assessoria do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) confirmou que não fez esta declaração, nem nenhuma semelhante.

Maria do Rosário é outra que aparece no conjunto de imagens compartilhadas. Ao lado de sua foto, a citação diz que todas as ações da direita são um plano para influenciar a população a querer se armar e se revoltar contra o estatuto do desarmamento. Nas redes da deputada, não há registro desse posicionamento. Entramos em contato com a assessoria da parlamentar, que não respondeu até a publicação desta checagem.

Estadão Verifica já publicou checagens semelhantes sobre os políticos citados nas imagens; no ano passado, desmentimos que Freixo tenha elogiado o traficante Elias Maluco; mostramos ainda que Boulos não propôs que moradores de rua passassem o lockdown em quartos vazios de paulistanos; também é falso que Maria do Rosário tenha criticado uma policial militar que reagiu a um assalto.

Lázaro Barbosa foi capturado e morto nesta segunda-feira, 28. Os policiais que participaram da operação dispararam 125 vezes contra o criminoso na cidade de Águas Lindas de Goiás. O cerco durou 20 dias e cerca de 200 agentes foram empregados na operação.

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