Para atacar Paolla Oliveira, bolsonaristas compartilham entrevista falsa nas redes sociais

Para atacar Paolla Oliveira, bolsonaristas compartilham entrevista falsa nas redes sociais

Atriz não afirmou que colegas teriam que recorrer à prostituição caso Jair Bolsonaro seja reeleito

Gabi Coelho

16 de setembro de 2021 | 16h27

Circula no Facebook uma citação falsamente atribuída à atriz Paolla Oliveira. Postagens de páginas de apoio ao governo afirmam que Paolla teria dito que a prostituição seria única forma de sobrevivência das atrizes da TV Globo caso o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seja reeleito. Paolla se manifestou em suas redes sociais para desmentir a peça de desinformação. 

As postagens falsas alegam que a frase sobre prostituição foi dita à revista Caras. Não há nenhuma entrevista disponível com a fala da atriz global. Paolla desmentiu o boato em um comunicado feito nesta quarta-feira, 15. “É mentira”, escreveu no Instagram. “Primeiro que você nunca vai encontrar essa declaração minha falando sobre esse assunto, porque eu simplesmente nunca diria isso, envolvendo uma empresa e outras colegas e profissionais, inclusive. Não tem sentido. Pode jogar palavra por palavra no Google e não encontrará nada, além da mentira plantada.”

Paolla Oliveira

A atriz Paolla Oliveira em foto de 2020. FOTO: Vinicius Mochizuki

Paolla disse que o boato é uma tentativa de intimidá-la por causa de críticas ao governo e seus posicionamentos contra “a opressão, o abuso infantil, a exploração da mulher, o machismo, o sexismo e a misoginia”. “Dessa vez fui eu a vítima. Sempre tive compromisso com a verdade e não vai ser agora que meu nome estará envolvido em notícias falsas”, continuou. “No Dia Internacional da Democracia, temos um exemplo de como tiranias agem contra cidadãos”.

A atriz disse que vai continuar se pronunciando sobre esses assuntos. “Não vão me calar sobre absolutamente nenhum dos meus posicionamentos, porque eles são meus e sou livre para fazê-los”, afirmou.

Em julho de 2019, o Estadão desmentiu outro boato envolvendo Paolla Oliveira. Dessa vez, internautas alegaram que a atriz seria protagonista de um filme de sexo explícito. Na época, seu advogado falou sobre o caso. “Tomarei as medidas judiciais cabíveis nas esferas cível e criminal contra aqueles que compartilharem ou publicarem qualquer imagem pornográfica associando o nome de Paolla à pornografia”.

Em seguida, concluiu: “Infelizmente, mentiras como as que envolveram minha cliente já fizeram com que muitas mulheres e meninas tirassem sua própria vida. Por isso, é nosso dever combater esse tipo de agressão”.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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