ONU, OAB e ONGs estiveram presentes em Brumadinho, ao contrário do que afirma post
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

ONU, OAB e ONGs estiveram presentes em Brumadinho, ao contrário do que afirma post

Publicação viral no Facebook engana ao negar participação de organizações na contenção de danos após tragédia

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

14 de outubro de 2020 | 14h44

A Organização das Nações Unidas (ONU), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), organizações não governamentais (ONGs) e grupos de direitos humanos estiveram presentes em Brumadinho após o desastre ambiental na cidade mineira. Uma publicação viral no Facebook replica um boato que circulou na época do rompimento da barragem da Vale, em janeiro de 2019, e engana ao negar a participação de tais organizações na contenção de danos da tragédia.

Organizações citadas em postagem participaram ativamente das ações em Brumadinho. Foto: Reprodução

Cinco dias após a catástrofe, a ONU pediu uma “investigação imediata” do caso. Além disso, um relator das Nações Unidas revelou ao Estadão que fez muitos pedidos para visitar e avaliar barragens da região, depois do desastre de Mariana, em 2015, mas não recebeu autorização do governo brasileiro.

Em fevereiro deste ano, a ONU enviou um diplomata a Brumadinho. Representante na América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, Jan Jarab visitou a cidade e se reuniu com a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos.

A OAB, por sua vez, esteve presente em Brumadinho no dia seguinte ao rompimento da barragem. O presidente da Ordem em Minas, Raimundo Cândido Júnior, e a presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB Federal, Marina Gadelha, foram à cidade para acompanhar os desdobramentos. A entidade criou uma comissão especial e lançou uma cartilha para orientar as vítimas.

Com o objetivo de reunir informações, monitorar e cobrar empresas e o poder público sobre a tragédia, ONGs ligadas à área ambiental criaram uma plataforma chamada Gabinete de Crise. Outras organizações não governamentais, como a Federação Humanitária Internacional Fraternidade e a Arca da Fé, participaram do resgate de animais na lama da barragem.

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) também esteve em Brumadinho, em missão emergencial realizada quatro dias após o desastre. O órgão, vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, apresentou relatório que destacou a negligência de empresas e do Estado em ações de prevenção.

O boato analisado teve grande repercussão logo depois da catástrofe. Até mesmo a atriz Regina Duarte compartilhou o conteúdo falso, em publicação de 29 de janeiro de 2019 no Instagram. Na época, Regina ainda não havia assumido a Secretaria Especial da Cultura, cargo que ocupou por três meses em 2020.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: