Não é possível ter telefone invadido ao apertar ‘2’ ou qualquer tecla durante ligação

Não é possível ter telefone invadido ao apertar ‘2’ ou qualquer tecla durante ligação

Mensagem no WhatsApp alerta sobre 'novo golpe dos vacinados', que permitiria a criminosos acesso a dados bancários no telefone; especialistas em segurança digital explicam que é impossível invadir contas por ligação

Milka Moura, especial para o Estadão

29 de junho de 2022 | 18h19

É falsa a mensagem que circula em grupos do WhatsApp sobre um novo golpe que usaria ligações telefônicas para ter acesso a dados bancários e roubar dinheiro. O texto analisado pelo Verifica afirma que um contato estaria ligando para pessoas e pedindo para que elas digitassem o número “2” caso estivessem vacinadas. Em seguida, o aparelho que recebeu a chamada seria hackeado e a conta bancária do dono, extorquida. Mas não é possível fazer movimentações financeiras por ligação, segundo apurou o Verifica.

De acordo com avaliação de especialistas em segurança digital da Safernet, a mensagem que circula no WhatsApp é falsa, pois as bases de dados dos bancos e das operadoras de telefonia não são conectadas. Isso faz com que seja impossível acessar dados bancários a partir de uma ligação, mesmo que seja através de redes sociais como o WhatsApp ou Telegram.

Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo por WhatsApp, (11) 97683-7490. A mensagem diz o seguinte: “Infelizmente, um novo golpe. Agora mesmo, meu amigo recebeu uma ligação pedindo-lhe para pressionar 2 se ele tivesse se vacinado. Aí ele pressionou 2. Imediatamente o telefone foi bloqueado e seu telefone foi hackeado. Limparam a conta, fizeram PIX. Tudo muito rápido!”

Golpes por eletrônico crescem

Os crimes de estelionato tiveram um aumento de 36% em 2022. Em relação a crimes feitos por meios eletrônicos, o aumento foi ainda maior, 74,5%. As informações são de dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Entre os crimes mais comuns estão a clonagem de WhatsApp e perfis falsos nas redes sociais. Com a adesão do Pix, sistema de pagamento instantâneo, além de roubarem o aparelho celular os criminosos agora utilizam da ferramenta para tirar dinheiro das vítimas. Com isso, o número de furtos e roubos de celulares foram de 825.923, em 2020, para 847.313 em 2021.  

Como se proteger?

No crime de perfis falsos, os suspeitos fingem que a vítima mudou de rede ou de número de celular para efetuar o golpe. Nesse caso, a dica de segurança da associação Safernet é colocar a foto e nome do WhatsApp como privados, para que apenas os seus contatos tenham acesso. E em caso de receber o pedido de dinheiro, checar por outros contatos se a pessoa que está falando com você é realmente quem se diz ser. 

No caso de clonagem, os criminosos podem habilitar o número de celular em outro aparelho por meio de chip clonado ou por meio de código de acesso para verificação de conta (por exemplo, o código de seis dígitos enviado pelo suporte do WhatsApp). Com isso, eles podem ter acesso aos contatos pessoais por grupos e assim aplicar o golpe.

Neste caso específico, a forma de proteção mais indicada é utilizar a verificação em duas etapas ou autenticação de dois fatores. Segundo especialistas do Safernet, a medida age como uma dupla camada de segurança para a conta, impedindo o acesso e exigindo uma senha em caso de invasão. Os profissionais alertam que essa senha nunca deve ser repassada, principalmente se for solicitada por WhatsApp ou SMS. O código de verificação também nunca deve ser divulgado. 

Fato ou Fake, Lupa e Boatos.Org também checaram este conteúdo.

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