Não, Nike não tem relação com produção de ‘tênis de Satanás’
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Não, Nike não tem relação com produção de ‘tênis de Satanás’

Modelo da gigante dos calçados foi usado sem autorização por outra empresa em parceria com o rapper Lil Nas X

Pedro Prata

05 de abril de 2021 | 12h20

São falsas as postagens no Facebook que afirmam que a Nike teria lançado um “tênis de Satanás”. O produto em questão foi produzido em uma parceria do rapper Lil Nas X com a empresa MSCHF, do Brooklyn, em Nova York. A produção não tem relação com a gigante mundial dos calçados, embora use um modelo seu. A Nike está processando a empresa pelo uso indevido de sua marca.

Empresa que produziu os tênis negou envolvimento da Nike. Foto: Reprodução

Uma das postagens com a afirmação enganosa já foi compartilhada ao menos 4,1 mil vezes. Ela diz: “A Nike em parceria com o rapper Lil Nas, está lançando o ‘tênis Satanás’ com edição limitada de 666 pares e cada um contém uma gota de sangue humano pelo preço de R$ 1.018. O slogan diz que é melhor reinar no inferno do que servir nos céus. Tem um efeito com o pentagrama um dos maiores símbolos do satanismo.”

Por e-mail, a Nike informou que não possui qualquer relação com a empresa responsável pelo tênis nem com o rapper Lil Nas X. “A Nike entrou com uma ação por violação de marca registrada contra a MSCHF com relação ao ‘tênis de Satanás’. Não temos ligação com a MSCHF nem com o rapper Lil Nas X. Os tênis foram produzidos sem a aprovação ou autorização da Nike, e a empresa não tem relação alguma com esse projeto”, diz a nota.

O jornal New York Times publicou uma reportagem sobre o caso. Segundo o jornal, o modelo utilizado pela MSCHF, uma pequena empresa com sede no Brooklyn, foi o Nike Air Max 97. O modelo original pode ser encontrado no site oficial da Nike, sem o símbolo do pentagrama nem os detalhes em vermelho.

A empresa MSCHF incluiu uma gota de sangue humano, doado por seus funcionários, dentro de uma bola de ar presente no tênis. Foram vendidos 666 pares por US$ 1.018 (aproximadamente R$ 5.786). Para o NYT, um dos fundadores da MSCHF reforçou que a Nike não esteve “de forma alguma” envolvida no processo.

A produção do tênis foi uma parceria com o rapper Lil Nas X, que lançou recentemente um clipe da música Montero (Call Me by Your Name) com referências ao inferno e ao diabo. Ele chega a deslizar do céu para o inferno por meio de um mastro de pole dance e se encontra com o diabo.

Uma das postagens analisadas pelo Estadão Verifica com a informação enganosa reproduzia uma chamada do blog Conexão Política com o título “Em parceria com a Nike, Rapper Lil Nas X deve lançar ‘sapato de satanás’ com sangue humano nas solas”. O blog retirou o envolvimento da Nike do título e disse que fez a alteração após a Nike negar “qualquer tipo de envolvimento na produção dos calçados”.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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