Não, ministro Barroso não confessou que está sendo chantageado por causa de vídeo em orgia

Não, ministro Barroso não confessou que está sendo chantageado por causa de vídeo em orgia

Ministro do STF mencionou o boato enquanto falava sobre desinformação e alegações falsas que envolvem seu nome

Daniel Tozzi Mendes, especial para o Estadão

19 de fevereiro de 2022 | 16h44

Não é verdade que o ministro do STF Luís Roberto Barroso tenha “confessado” que é chantageado pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, por conta de um vídeo de uma orgia com menores de idade em Cuba. A informação tem circulado pelas redes sociais, impulsionada por sipatizantes do presidente Jair Bolsonaro. Um desses posts, feito no dia 14 de fevereiro no Facebook, tem mais de 294 mil visualizações. 

A postagem que é objeto dessa verificação é um vídeo de mais de nove minutos que promete “revelar” a confissão do próprio Barroso sobre o caso. O que é mostrado, na verdade, é um trecho fora de contexto de uma fala do ministro do STF sobre o caso enquanto ele citava exemplos de notícias falsas que envolvem o seu nome. A fala original de Barroso foi feita durante um webinar do site de notícias JOTA, realizado no dia 9 de fevereiro de 2022, e que discutia o papel do poder público na regulação de novas tecnologias. Barroso foi um dos convidados do evento. 

É possível entender o contexto no próprio vídeo da postagem. Antes de citar o caso, Barroso diz: “Para dar alguns exemplos meus, circula pela internet… chega a ser divertido de tão bizarro” e então ele menciona a notícia falsa. Em seguida, Barroso afirma: “Eu queria dizer que nunca fui a Cuba, não sou dado a orgias e não mantenho nenhum contato nem tenho nenhum tipo de relação com o ex-ministro José Dirceu”.

Na transmissão original do evento do JOTA, a partir de 26 minutos e 30 segundos, também  é possível perceber que o ministro do STF estava falando sobre a produção e compartilhamento de notícias falsas e os limites da liberdade de expressão. Exatamente antes de citar o caso da orgia, ele diz: “É preciso traçar distinções nesse mundo bizarro, que nós estamos vivendo, em que a mentira virou uma estratégia de destruição e construção de reputações, em um mundo em que o mal parece ter tomado total controle de alguns espaços”.

Na segunda-feira, 14, o site Métropoles já havia noticiado que o vídeo da participação do Barroso no webinar havia sido editado com objetivo de espalhar a notícia falsa. 

Não é a primeira vez que a notícia falsa envolvendo o nome de Barroso e sua participação em uma orgia ao lado de José Dirceu em Cuba circula. Ao menos desde junho de 2021, um texto com teor semelhante é compartilhado nas redes por simpatizantes de Bolsonaro, conforme mostrou checagem do Boatos.org. A viralização do boato aumentou depois que Bolsonaro utilizou o Twitter para fazer insinuações sobre o caso. 

No período em que a notícia falsa começou a circular, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu classificou as alegações como falsas e enviou petição ao STF para que fossem investigadas. 

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