Não, Lulinha não comprou 20% das ações da Sinovac, responsável pela Coronavac

Não, Lulinha não comprou 20% das ações da Sinovac, responsável pela Coronavac

Não há qualquer empresa brasileira entre as principais acionistas da farmacêutica chinesa; texto que circula no WhatsApp acusa Doria de ter comprado vacina em troca de acordo com o PT

Alessandra Monnerat

13 de abril de 2021 | 17h52

É falso que um dos filhos do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, tenha comprado 20% das ações da Sinovac Biotech, farmacêutica chinesa que desenvolveu a Coronavac. A informação falsa circula em texto do WhatsApp que afirma que o governador de São Paulo, João Doria, teria feito acordo para comprar a vacina contra covid-19 em troca de apoio do PT nas eleições de 2022.

Leitores enviaram este conteúdo para checagem ao WhatsApp do Estadão Verifica, 11 97683-7490. A mensagem alega que Lulinha teria comprado 20% das ações da Sinovac por R$ 100 milhões, por meio de um grupo de investidores. A transação teria sido feita antes do acordo entre a farmacêutica e o governo de São Paulo, em troca de apoio do PT a Doria. Tudo isso é falso.

Fábrica da Sinovac em Pequim, na China Foto: Thomas Peter/Reuters

No quadro dos principais acionistas da companhia chinesa, não aparece o nome do filho de Lula ou de qualquer empresa brasileira. A maior shareholder da Sinovac atualmente é a SAIF Advisors, uma empresa de investimentos da China sem qualquer relação com Lulinha.

Mesmo que quisesse comprar ações da Sinovac antes do acordo com o Butantan, Lulinha não conseguiria. Como destacou a Agência Lupa em checagem sobre o mesmo assunto, os papeis da empresa na Nasdaq estavam congelados desde fevereiro de 2019.

O texto no WhatsApp afirma que a Polícia Federal teria descoberto o “esquema” de compra de ações e o posterior acordo do PT com Doria. A PF, no entanto, informou que divulga operações de investigação em seu site e que “qualquer informação que circule nas redes sociais que não tenha partido dos nossos canais oficiais de comunicação é de total responsabilidade de quem a divulgou.”

O governo de São Paulo, por sua vez, disse que a mensagem no WhatsApp é “completamente falsa”. “Esta é mais uma das inumeráveis fake news que têm o objetivo exclusivo de desinformar e confundir a população sobre as necessárias ações de combate à pandemia do coronavírus, que são adotadas pelo Governo de São Paulo desde o início do ano passado”, disse a Secretaria de Comunicação Social paulista, em nota.

São Paulo anunciou acordo de cooperação com a Sinovac em junho de 2020. De acordo com o divulgado na época, os estudos com a Coronavac no Estado custaram R$ 85 milhões ao governo paulista. A vacina foi aprovada para uso emergencial pela Anvisa em janeiro deste ano.

O Estadão Verifica entrou em contato com o Instituto Butantan e o PT, ambos citados no boato, mas não recebeu resposta até o momento. A checagem será atualizada com o posicionamento.

Além da Agência Lupa, Aos Fatos, Fato ou Fake e Boatos.Org também checaram a mensagem. O conteúdo falso começou a circular em janeiro, mas voltou a ser encaminhado em grupos do WhatsApp neste mês.

 

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