Não há evidências que pessoas mortas tenham ‘votado’ na Pensilvânia
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Não há evidências que pessoas mortas tenham ‘votado’ na Pensilvânia

Denúncias publicadas nas redes sociais se baseiam em ação rejeitada em corte americana; procuradoria do estado diz não haver prova de que cadastros de eleitores falecidos tenham sido usados

Alessandra Monnerat

10 de novembro de 2020 | 17h18

Não há evidências que o cadastro de 21 mil pessoas mortas tenha sido usado nas eleições na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Publicações nas redes sociais se baseiam em uma ação judicial da organização sem fins-lucrativos Public Interest Legal Foundation, que afirma ter uma lista de eleitores registrados no estado americano que já teriam morrido — a listagem não foi confirmada pelo governo local. A ação foi rejeitada por um juiz de corte distrital, mas cabe recurso.

A organização ajuizou uma ação contra a secretária de Estado da Pensilvânia, Kathy Boockvar, em 15 de outubro, que visava a impedir que os eleitores listados votassem. No dia 20 de outubro, o juiz John E. Jones III rejeitou o pedido, argumentando, entre outras razões, que não havia tempo hábil até o dia das eleições para conferir se a listagem apresentada no processo era verdadeira. 

(A Public Interest Legal Foundation) nos pediu para aceitar como verdadeira sua investigação privada sobre a elegibilidade de milhares de eleitores”, escreveu o juiz na decisão. “Mas não podemos e não aceitaremos a palavra do autor — em uma eleição onde cada voto é importante, não privaremos os eleitores potencialmente elegíveis com base apenas nas alegações de uma fundação privada”. 

Documento

Jones apontou ainda que a Pensilvânia tem outros mecanismos para impedir que votos de “eleitores mortos” sejam contados. A secretária de Estado Kathy Boockvar também argumentou no processo que tinha encontrado inconsistências na lista apresentada pela organização.

Ao The New York Times, a procuradoria de Estado da Pensilvânia informou que “não há atualmente nenhuma prova fornecida de que qualquer pessoa falecida tenha votado nas eleições de 2020″.

Especialistas ouvidos em uma checagem do site americano FactCheck.Org afirmaram que em toda eleição há acusações de fraudes com eleitores mortos. No entanto, a maior parte das denúncias não tem fundamento. Mesmo casos comprovados não ocorrem com frequência suficiente a ponto de mudarem o resultado de uma eleição.

Aos Fatos e Boatos.Org também publicaram checagens sobre esse assunto.

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