Não há consenso sobre possibilidade de coronavírus ser transmitido pelo ar
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Não há consenso sobre possibilidade de coronavírus ser transmitido pelo ar

OMS informa que principal forma de transmissão é por gotículas de saliva produzidas quando uma pessoa doente espirra, tosse ou fala

Pedro Prata

13 de abril de 2020 | 18h37

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vê com ressalvas, mas não descarta a possibilidade de o coronavírus ser transmitido pelo ar. Publicações feitas no Facebook afirmam categoricamente que a organização internacional descartou esta forma de transmissão. Porém, em nota técnica publicada em 29 de março, a OMS informou ter conhecimento de estudos em fase inicial que sugerem esta possibilidade. A organização salienta que mais testes precisam ser realizados antes de se rejeitar qualquer hipótese.

Não há consenso sobre a possibilidade do coronavírus ser transmitido pelo ar. Foto: Pixabay/@Visuals3D/Divulgação

As infecções respiratórias podem ser transmitidas de duas formas. Quando a contaminação se dá por gotículas de saliva, a transmissão da doença ocorre por contato direto com pessoas infectadas ou indireto com superfícies ou objetos utilizados pela pessoa infectada.

Já a contaminação pelo ar ocorre por meio de aerossóis, partículas menores e mais leves do que as gotículas. Neste caso, elas podem permanecer em suspensão no ar por mais tempo e podem contaminar pessoas em distâncias maiores.

A nota técnica da OMS afirma que os resultados de estudos que identificam a possibilidade de contaminação pelo novo coronavírus por meio do ar devem ser “interpretados de forma cuidadosa”. Segundo a OMS, os aerossóis infectados com coronavírus em estudos foram produzidos em condições artificiais. A entidade também afirma que “a detecção de RNA [estrutura que carrega informação genética] do vírus em amostras de aerossóis não é indicativa da sua capacidade de transmissão”.

Os estudos até agora realizados apresentaram resultados diversos.

Uma pesquisa da Universidade de Wuhan, na China, identificou a presença de RNA em aerossóis coletados perto de hospitais com pacientes da covid-19 e também próximo à entrada de lojas de departamentos. Outro estudo semelhante encontrou RNA em amostras colhidas no ventilador de uma clínica em Singapura, mas os autores informaram à revista científica Nature que o aparelho estava próximo demais de uma pessoa infectada e que poderia ter sido contaminado por ela ao tossir ou espirrar.

Nos Estados Unidos, pesquisa da Universidade de Nebraska indicou que dois terços das amostras de aerossóis coletadas em quartos de isolamento apresentavam RNA do coronavírus. Embora os autores afirmem que isso indica a produção de aerossóis por pessoas infectadas mesmo sem espirrar ou tossir, não foi possível identificar a capacidade de contaminação destes aerossóis em culturas de células.

O infectologista Julian Tang, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, afirmou à revista científica Nature que deveria se considerar a possibilidade de infecção pelo ar até que se prove o contrário. Desse modo, as pessoas poderiam se precaver e se prevenir.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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