Não, cloroquina não foi usada contra gripe espanhola em 1918
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Não, cloroquina não foi usada contra gripe espanhola em 1918

Droga popular em grupos bolsonaristas só foi descoberta em 1934 pela empresa alemã Bayer

Daniel Bramatti e Pedro Prata

28 de fevereiro de 2021 | 23h45

Circula no Facebook e no WhatsApp a imagem de um anúncio de uma farmácia, publicado em um jornal antigo, em português arcaico, com o seguinte texto: “Contra a Hespanhola, comprimido de Chloro Quinino, específico infallível contra a grippe epidêmica”. As mensagens insinuam que a cloroquina é usada em pandemias desde 1918, época em que o Brasil foi atingido pela chamado gripe espanhola, e que “só os médicos formados no período petista não sabem”.

Foto: Reprodução

O anúncio é verdadeiro, como constatou a agência AFP, mas não se trata de uma alusão à cloroquina, droga que tem muitos fãs em grupos bolsonaristas, apesar das evidências de que é ineficaz contra covid-19. A cloroquina só foi descoberta em 1934, pelo laboratório Bayer.

O anúncio da época da gripe espanhola cita o quinino, outra substância usada na indústria farmacêutica e que, como a cloroquina, tem propriedades que ajudam a combater o parasita que causa a malária. Ao Estadão Verifica, a Fiocruz informou que “não são o mesmo medicamento, pois têm diferenças nas suas estruturas”.

Em 22 de outubro de 1918, o Estadão noticiou que a corrida pelo sal de quinino levou as autoridades a determinarem as farmácias passassem a exigir receita médica para a venda. A medida era uma forma de evitar o desabastecimento do produto.

Reportagem do ‘Estadão’ de 22 de outubro de 1918. Foto: Acervo Estadão

A cloroquina só seria desenvolvida na década de 1930 pela empresa alemã Bayer e recebeu o nome comercial Resochin. Ela tem uso regulamentado para tratar pacientes com malária, lúpus e artrite reumatoide. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Food and Drugs Administration (FDA), dos Estados Unidos, não recomendam seu uso contra a covid-19.

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