Não, Bolsonaro não baixou preço do litro da gasolina e do diesel para R$ 2,80

Não, Bolsonaro não baixou preço do litro da gasolina e do diesel para R$ 2,80

Posts inventam que governo vai instalar postos de combustível federais e que motoristas da Bahia já pagam menos para rodar

Clarissa Pacheco

18 de fevereiro de 2022 | 09h45

O litro do óleo diesel e da gasolina não está custando R$ 2,80 na Bahia, diferentemente do que afirmam posts no Facebook que acompanham um vídeo do ministro da Cidadania, João Roma, abastecendo um caminhão com combustível do programa federal Roda Bem Caminhoneiro. Pelo menos três postagens, que somam quase 15 mil interações na rede, mentem ao dizer que “na Bahia os caminhoneiros e a população já estão todos abastecendo óleo diesel e gasolina a 2,80 reais por litro”. Também é falsa a afirmação de que o presidente Jair Bolsonaro (PL) baixou o preço do combustível e que vai instalar postos federais em todos os estados e vender mais barato aos motoristas.

As imagens foram feitas no dia 3 de fevereiro de 2022, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, quando o governo federal entregou uma estação do programa Roda Bem Caminhoneiro na cidade. A ação, contudo, não oferece redução no preço do combustível, nem permite que qualquer pessoa acesse as estações do programa – elas são destinadas a caminhoneiros autônomos associados a cooperativas selecionadas em edital. No texto publicado no site do próprio governo não há qualquer menção ao litro do combustível custar R$ 2,80

De acordo com o Ministério da Cidadania, as cooperativas selecionadas poderão comprar pneus, peças e lubrificantes a preços mais em conta. Com a possibilidade de comprar combustível de forma coletiva e em larga escala, elas também vão poder definir o preço do óleo diesel, mas uma eventual redução no preço não cabe ao programa, explica a pasta.

“O preço do óleo diesel será definido pelas cooperativas por meio de compras coletivas entre os cooperados. Entretanto, não haverá nenhum tipo de isenção de ICMS e demais tributos que incidem sobre o preço dos combustíveis”, diz o ministério, em nota que classifica o conteúdo viral como falso.

Hoje, os motoristas baianos pagam bem mais do que R$ 2,80 no litro do óleo diesel e da gasolina. De acordo com dados do Sistema de Levantamento de Preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o custo médio do litro do óleo diesel no estado variava entre R$ 5,705 e R$ 6,134 na semana entre 6 e 12 de fevereiro de 2022. Em Barreiras, cidade vizinha de Luis Eduardo Magalhães, onde a estação foi inaugurada, o preço médio foi de R$ 5,884. Já o diesel S10 variou de R$ 5,724 a R$ 6,284, e a gasolina comum, de R$ 6,745 a R$ 7,493, no mesmo período.

Roda Bem Caminhoneiro

A logomarca do programa Roda Bem Caminhoneiro aparece mais de uma vez nas imagens compartilhadas pelos posts. Ao lado dela, é visível o nome do Ministério da Cidadania, que coordena a ação, e a marca do governo federal.

Criado em 2019, o Roda Bem Caminhoneiro, segundo o ministério, tem como objetivo “estruturar e fortalecer um sistema cooperativo nacional para os transportadores rodoviários autônomos em forma de rede, em parceria com as cooperativas selecionadas pelo projeto”. Até o momento, 15 estações do programa já foram inauguradas, beneficiando 68 cooperativas de transportadores autônomos.

“O Projeto Roda Bem Caminhoneiro contempla a entrega de um kit de infraestrutura para as cooperativas de transporte rodoviário de cargas participantes do programa. O kit é composto por um escritório container equipado com notebook, smartphone e climatizador e um reservatório de óleo diesel com capacidade para 15 mil litros equipado com bomba”, explica o Ministério da Cidadania, em nota.

Além de Luis Eduardo Magalhães, as estações foram entregues em Campo Grande (MS), Canoas (RS), Castro (PR), Chapecó (SC), Dourados (MS), Ibirubá (RS), Itapoá (SC), Luziânia (GO), Rio Verde (GO), Santo Antônio da Platina (PR), Serra (ES), Vera (MT) e Viana (ES). Cada estação custa, em média, R$ 180 mil, segundo o governo federal.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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