Na CPI, diretor do Butantan acerta dados da Coronavac, mas erra sobre aprovação da Sinopharm
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Na CPI, diretor do Butantan acerta dados da Coronavac, mas erra sobre aprovação da Sinopharm

Dimas Covas depôs nesta quinta-feira a senadores da comissão que analisa as medidas de enfrentamento à pandemia

Pedro Prata e Alessandra Monnerat

27 de maio de 2021 | 12h57

Atualizada às 9h56 de 28 de maio de 2021 para incluir o posicionamento de Dimas Covas.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, depôs nesta quinta-feira, 27, à CPI da Covid. O médico citou datas e dados corretos em relação ao desenvolvimento da Coronavac no Brasil. Mas confundiu a ordem de aprovação de uma vacina da Sinopharm na Organização Mundial de Saúde (OMS).

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, depõe na CPI da Covid. Foto: Gabriela Biló/Estadão

“A primeira vacina aprovada pela OMS foi a vacina da Sinopharm, que é uma vacina muito semelhante a essa”

A alegação é falsa. A vacina de vírus inativado da Sinopharm foi aprovada para uso emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 7 de maio de 2020, sendo a quinta a receber essa autorização. A primeira foi a vacina da Pfizer/BioNTech, seguida da Astrazeneca, Janssen e Moderna. Ao Estadão Verifica, o Instituto Butantan disse que o presidente Dimas Covas “se referiu à vacina da Sinopharm como a primeira da China a receber aprovação da OMS, e não a primeira do mundo”.

Documento

Atualmente, a Coronavac, que é o imunizante desenvolvido pela empresa Sinovac, está em processo de avaliação para autorização de uso emergencial pela OMS. A aprovação é estimada para este mês, mas dependerá do tempo que levará para a entrega de todos os dados e o tempo de resposta para possíveis questionamentos.

É verdade que as vacinas da Sinopharm e da Sinovac são semelhantes. As duas usam a tecnologia de vírus inativado.

“Em abril de 2020, a Sinovac já tinha uma vacina sendo testada na China em fases 1 e 2. […] Naquele momento, a vacina mais desenvolvida era essa, estava praticamente pronta”

A alegação é verdadeira. A parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac foi anunciada por Dimas Covas e o governador João Doria (PSDB) em 11 de junho de 2020. Em uma entrevista coletiva de imprensa, João Doria disse que o mundo possuía 100 imunizantes em desenvolvimento, mas que 10 estavam em fase de testes.

Os testes de fase 1 e 2 foram publicados na revista Lancet em 17 de novembro de 2020. A fase 1 contou com 144 participantes entre os dias 16 e 25 de abril. Já a fase 2 contou com 600 participantes, entre 3 e 5 de maio. Os voluntários foram selecionados no condado de Suining, província de Jiangsu, na China. 

“A regulamentação para uso emergencial das vacinas no Brasil saiu em dezembro pela Anvisa. Em outros países, em meados do ano passado, já existia essa regulamentação”

É verdade que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou resolução sobre aprovação emergencial de vacinas apenas em dezembro, no dia 10. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), por exemplo, publicou um documento sobre aceleração de processos de análise de imunizantes em maio do ano passado.

“Em 2019 nós fomos à China como parte de uma missão empresarial liderada pelo Governo do Estado de São Paulo, fomos visitar a China e lá fizemos várias visitas às produtoras de vacinas chinesas, inclusive a Sinovac, e estabelecemos já naquele momento as primeiras parceiras, não só com a Sinovac, mas também com as outras”

A alegação é verdadeira. Em agosto de 2019, o governador João Doria realmente viajou à China para inaugurar o escritório comercial do governo de São Paulo em Xangai. A comitiva contou com 35 empresários e autoridades do governo paulista, para encontros com autoridades, investidores e empresas chineses.

Em Wuhan, na província de Hubei,  Dimas Covas e a equipe de novos negócios do Instituto Butantan assinaram carta de intenções com a empresa chinesa BravoVax e a norte-americana Exxell BIO para o desenvolvimento de uma vacina pentavalente contra rotavírus.

Segundo um artigo que o governador escreveu em 2019 ao Estadão, o escritório está voltado para a “promoção do comércio e de investimentos e o intercâmbio de tecnologia, infraestrutura, agronegócio, saúde, energia, educação e turismo”.

Registros de reuniões e visitas de Doria na China foram publicadas na conta oficial do governador no Twitter. É possível ver que o governador buscou financiamento para o programa estadual de desestatização e investimento na área de infraestrutura, como as obras da Linha 6 – Laranja, do Metrô de São Paulo, e a despoluição do Rio Pinheiros.

“No meio do ano passado, já tinha uso emergencial aprovado (para Coronavac). Final do primeiro semestre já era usada na China em larga escala. Quando começamos o estudo clínico, já tinha em torno de 700 mil chineses vacinados”

De fato, a aprovação de uso emergencial da Coronavac na China foi anunciada em agosto de 2020. De acordo com a Reuters, o programa de vacinação emergencial no país asiático começou em julho, embora não seja claro quais imunizantes eram utilizados inicialmente. Nesse primeiro momento, a vacinação era voltada a profissionais de saúde com alto risco de contaminação. Em setembro, um estudo com mais de 50 mil voluntários chineses apontou a eficácia da vacina. 

O uso geral foi aprovado apenas em fevereiro de 2021. A Coronavac foi a segunda vacina a ser aprovada para uso geral no país, depois do imunizante produzido pela Sinopharm. Até aquele momento, 31 milhões de pessoas já haviam sido vacinadas em caráter emergencial.

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