Mulheres são propensas a sintomas atípicos de enfarte, mas sinais mais comuns são iguais aos de homens
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Mulheres são propensas a sintomas atípicos de enfarte, mas sinais mais comuns são iguais aos de homens

Publicação no Facebook engana ao afirmar que sinais de problemas cardíacos raramente são os mesmos para ambos os sexos

Pedro Prata

28 de agosto de 2020 | 18h44

Um texto que viralizou no Facebook afirma que os sintomas de enfarte em mulheres “raramente” são os mesmos identificados em homens. Especialistas ouvidos pelo Estadão Verifica explicam que não é bem assim — os sintomas mais comuns são iguais para ambos os sexos, mas as mulheres estão mais propensas a desenvolver manifestações atípicas. Como isso pode retardar a procura por atendimento médico, é importante saber identificar sinais como dores nas costas, falta de ar e náuseas.

Esse post foi compartilhado ao menos 46 mil vezes desde 20 de julho de 2019. “Sabias que os ataques cardíacos nas mulheres raramente apresentam os mesmos sintomas dramáticos que anunciam o infarto nos homens?”, diz a postagem. “Refiro-me à dor intensa no peito, o suor frio e o desfalecimento (desmaio, perda de consciência) súbito que eles sofrem e que vemos representados em muitos filmes”. O texto também contém o suposto relato de uma mulher que teria sofrido um enfarte em casa, mas não identifica quando isso teria ocorrido nem quem seria a pessoa em questão.

Mulheres são mais propensas a ter sintomas atípicos, mas os sinais mais comuns são os mesmos para ambos os sexos. Foto: Reprodução

Os sintomas mais comuns de um enfarte agudo do miocárdio são os mesmos para homens e mulheres, diz Bernardo Noya, cardiologista do HCor. São as dores no peito, que podem se apresentar na forma de sensação de aperto, de queimação ou desconforto. Elas podem ter duração de alguns minutos ou serem recorrentes.

Mas há também manifestações menos comuns, como: dor ou desconforto em um ou ambos os braços, costas, pescoço, mandíbula ou estômago; falta de ar com ou sem desconforto no peito; suores frios; náuseas e tontura. “As mulheres são um pouco mais propensas do que os homens a apresentar estes sintomas”, destaca Noya. “Isso pode levar a confusão nos sintomas e dificuldade de percepção, acarretando em atraso na busca por atendimento no sistema da saúde.”

É importante que homens e mulheres controlem os fatores de risco por meio da mudança de alguns comportamentos. O cardiologista fala que deve-se manter dieta saudável, interromper o tabagismo e evitar o sedentarismo. “Também é preciso tratar doenças associadas à doença cardíaca coronária, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes e colesterol”, aponta ele.

Praticar atividade física é uma das maneiras de prevenção ao infarto. Foto: Pixabay/@Wokandapix/Divulgação

O Ministério da Saúde informa que a principal causa de enfarte é a aterosclerose, doença em que placas de gordura se acumulam no interior das artérias do coração. Na maioria dos casos, o enfarte ocorre quando há o rompimento de uma dessas placas, levando à formação de um coágulo e interrupção do fluxo sanguíneo.

Nos diabéticos e nos idosos, o enfarte pode ocorrer sem sinais específicos. Por isso, deve-se estar atento a qualquer mal-estar súbito apresentado por esses pacientes. Os diabéticos têm de duas a quatro vezes mais chances de sofrer um enfarte.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teve cerca de 93 mil mortes por enfarte em 2018. Esta é a causa de 31% dos óbitos em todo mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Beber água antes de dormir diminui riscos?

O texto viral afirma ainda que tomar um copo d’água antes de se deitar evitaria problemas do coração. O médico Fausto Feres, diretor do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, nega que exista qualquer evidência neste sentido. “De qualquer forma, hidratar-se é sempre recomendado para todos, pois isso reduz chance de problemas renais (como pedra nos rins), melhora a pele e mantém a função metabólica em dia”, diz ele.

Não há evidência de que beber água antes de dormir ajude a previnir infarto. Foto: Pixabay/@ExplorerBob/Divulgação

Segundo o especialista, as dicas para se prevenir de problemas cardiovasculares são “atividade física regular, dieta saudável e acompanhamento com médico, especialmente se tiver algum fator de risco”.

O estrogênio e o enfarte

O post analisado afirma ainda que mulheres na fase de menopausa perdem a “proteção” do estrogênio contra enfartes. De fato, mulheres costumam sofrer menos de problemas cardiovasculares por conta dos hormônios femininos durante a fase reprodutiva, explica Feres. “O estrógeno auxilia como um ‘protetor’, elevando os níveis de colesterol bom (o HDL) e diminuindo os níveis de LDL (colesterol ruim)”, afirma o especialista.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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