Mulher que acusa Ibope e Datafolha nunca foi funcionária e usa dados falsos sobre pesquisas
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Mulher que acusa Ibope e Datafolha nunca foi funcionária e usa dados falsos sobre pesquisas

Ibope e Datafolha negaram que Conceição Duarte trabalhe ou tenha trabalhado em qualquer um dos institutos; Datafolha diz que não contrata terceirizados

Estadão Verifica

02 Outubro 2018 | 20h00

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas do Estado, Gazeta Online, O Povo e Folha de S. Paulo. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

São falsas as afirmações da mulher que se apresenta como Conceição Duarte, engenheira e pastora, em vídeo que circula por redes sociais. Segundo ela, que diz trabalhar para os institutos de pesquisa Datafolha e Ibope, os resultados são fraudados. A mulher afirma que mesma pesquisa era feita por telefone “há um mês e meio”, nas suas palavras, e que o resultado apontava o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com “cerca de 70% dos votos”.

Todas as acusações feitas pela mulher são falsas. Em nenhuma das pesquisas divulgadas por Ibope e Datafolha neste ano o candidato do PSL chegou a 70% das intenções de voto. Os levantamentos realizados pelos dois institutos são feitos presencialmente — no Ibope, o pesquisador visita a casa do entrevistado; no Datafolha, a pesquisa é feita em pontos de fluxo.

A mulher do vídeo também afirma que as questões dos institutos de pesquisa são feitas de forma enviesada. Segundo ela, na pesquisa estimulada, quando são apresentados os nomes dos candidatos ao entrevistado, o nome de Jair Bolsonaro aparece por último — o que não é verdade. Tanto Ibope como Datafolha oferecem opções de resposta em um disco, em que o nome de cada presidenciável aparece em uma “fatia”. Dessa forma, diminui uma possível influência que o ordenamento dos candidatos poderia exercer sobre a resposta.

A pergunta sobre rejeição também é feita de forma diferente do que descreve Conceição. Conforme o questionário registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dos últimos levantamentos Ibope e Datafolha, o pesquisador pergunta “em qual desses nomes você não votaria de jeito nenhum”. Em seguida, o funcionário do instituto mostra mais uma vez o disco com os nomes dos presidenciáveis.

O Ibope ainda apresenta aos entrevistados uma pergunta exclusiva sobre o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao candidato à Presidência do PT, Fernando Haddad. Porém, mais uma vez, a questão não é feita da forma descrita no vídeo viral. Segundo documento registrado no TSE, o pesquisador fala “O candidato do PT, Lula, foi impedido de disputar a eleição para presidente da República. Considerando que Lula declarou seu apoio a Fernando Haddad, o(a) sr(a) com certeza votaria em Fernando Haddad, poderia votar nele ou não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum?”

Ibope e Datafolha negaram que Conceição Duarte trabalhe ou tenha trabalhado em qualquer um dos institutos de pesquisa. O Datafolha comunicou ainda que a empresa não utiliza nenhum funcionário terceirizado, como Conceição alega ser. Todos os pesquisadores que vão a campo são treinados pelo próprio instituto de pesquisa, segundo o Datafolha. O Comprova não conseguiu localizar a mulher do vídeo nem confirmar sua identidade.

Até a tarde do dia 2 de outubro, uma das versões do vídeo no YouTube tinha 726 mil visualizações. Segundo a ferramenta Crowdtangle, do Facebook, a gravação teve 18,3 mil compartilhamentos na rede social.