Mulher não entregou a um homem na multidão a faca usada pelo agressor de Bolsonaro
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Mulher não entregou a um homem na multidão a faca usada pelo agressor de Bolsonaro

Análise com software dos frames do vídeo não revela nenhuma evidência de boato que circula nas redes sociais

Estadão Verifica

13 de setembro de 2018 | 14h09

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas do Poder 360, Folha de S. Paulo e AFP. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”: Correio do Povo, revista piauí, Jornal do Commercio e UOL.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

É enganoso o vídeo que sugere que a faca usada no crime contra o candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, foi passada da mão de uma mulher para a mão de um homem antes de chegar ao autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira. O atentado aconteceu na última quinta-feira, 6 de setembro, enquanto Bolsonaro fazia campanha de rua em Juiz de Fora (MG).

O vídeo enganoso verificado pelo Comprova circula por redes sociais e aplicativos de mensagens. Publicado em um canal no YouTube chamado Samuca Fernandes, o vídeo sugere que uma mulher de óculos escuros, que estava na multidão, teria passado a faca para um homem de camiseta branca, que, por sua vez, teria repassado o objeto cortante para Adélio.

No entanto, ao analisar o vídeo é possível ver que a mulher em questão não passa nenhum objeto cortante para o homem de camiseta branca. Na sequência, é possível ver a mão do homem vazia após cruzar com a mulher. O Comprova fez uma análise deste vídeo em editores de imagens como o Watch Frame by Frame

Ao Comprova, a assessoria da Polícia Federal diz que não comenta investigações em andamento. Por ora, a única pessoa presa e investigada pelo crime é Adélio. Nenhum dos supostos nomes que são apontados em redes sociais como participantes do crime foi divulgado pela PF.

Adélio está preso e foi indiciado no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional. Se condenado, o agressor pode ficar preso de 3 a 10 anos. Essa pena pode dobrar quando o ataque resulta em lesão corporal grave.

Apesar de a PF tratar oficialmente apenas Adélio como culpado, mulheres têm sido acusadas e perseguidas em redes sociais – sem provas – de participarem do atentado ao candidato do PSL. Entre os nomes que circulam na rede estão os de Maria Clara de Paula Ribeiro Tarabal e de Aryane Campos.

Um tweet de Alexandre Frota, candidato a deputado federal pelo mesmo partido de Bolsonaro, diz: “Atenção Brasil estamos atras dessa mulher que junto com os bandidos elaborou e participou do atentado ao Jair .ligue 190” (sic).

Apenas o vídeo publicado no canal de Samuca Fernandes teve mais de 177 mil visualizações no YouTube. Já no Facebook, esse mesmo vídeo teve mais de 2 mil interações (reações, comentários e compartilhamentos), segundo o CrowdTangle, ferramenta usada pelo Comprova para análise de redes sociais.

O site Boatos.org também verificou essa peça de desinformação.

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