Vídeo de Mourão de 2018 é compartilhado como se fosse convocação para atos de 7 de setembro

Vídeo de Mourão de 2018 é compartilhado como se fosse convocação para atos de 7 de setembro

Na gravação que circula fora de contexto, general ainda era candidato a vice e comentava sobre primeiro turno das eleições

Alessandra Monnerat

24 de agosto de 2021 | 17h36

Um vídeo antigo do vice-presidente Hamilton Mourão, gravado ainda durante a campanha eleitoral de 2018, circula nas redes sociais e no WhatsApp como se fosse recente. Na gravação, Mourão pede para manter “viva a militância” e a confiança em Jair Bolsonaro. A mensagem tem sido compartilhada como se mostrasse uma convocação para as manifestações do dia 7 de setembro. A assessoria do vice-presidente confirmou que ele não fez nenhum convite para os atos.

Um trecho editado do vídeo teve adicionadas as frases “o general convoca a todos”, “07/09/2021 parar tudo” e “independência ou morte”. Uma postagem com esse conteúdo acumula mais de 156 mil visualizações no Facebook.

Mourão fala o seguinte: “Nessas duas semanas que faltam até o dia 7 de outubro, mantenhamos viva a nossa militância, o nosso crédito em Jair Bolsonaro, nosso credo em tudo aquilo que ele representa. O que ele representa? O Brasil de grandeza, de valores, da verdade, da honestidade, da lealdade, da responsabilidade. E lembrem-se sempre: Bolsonaro é um grande estadista, aquele que não está olhando para as próximas eleições, mas para as próximas gerações”.

Chama a atenção que o vice-presidente menciona 7 de outubro, não 7 de setembro. Na primeira data, foi realizado o primeiro turno das eleições de 2018. Pesquisamos com a ferramenta CrowdTangle, de monitoramento de redes sociais, por vídeos publicados no Facebook nos dias 23 e 24 de setembro de 2018, duas semanas antes da primeira etapa de votação. Encontramos o mesmo clipe de Mourão, agora tirado de contexto. Veja abaixo.

Na gravação original, Mourão se apresenta como “candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro”. Esse trecho foi retirado do vídeo que viralizou recentemente. O clipe de 2018 tem 47 segundos, e o de 2021, 36 segundos.

Bolsonaro e Mourão têm discordâncias

Nesta segunda-feira, 23, Mourão disse que as manifestações marcadas para o dia 7 de setembro são “fogo de palha”. Isso aí tudo é fogo de palha, zero preocupação, disse, respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de investidas golpistas.

O vice-presidente admitiu que a relação com Bolsonaro passa por um momento complicado. “Não é uma relação simples. Nunca foi entre presidente e vice, nós não somos os primeiros a viver esse tipo de problema. Mas o presidente sabe muito que ele conta com a minha lealdade acima de tudo. Ele pode ficar tranquilo sempre a meu respeito”, afirmou. 

No último dia 10, o general participou de uma reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, alvo de vários ataques de Bolsonaro. Os dois se encontraram na mesma data em que ocorreu um desfile militar na Praça dos Três Poderes e a votação que derrubou a PEC do voto impresso na Câmara dos Deputados.

O site Boatos.Org publicou uma checagem semelhante.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

fake news [notícia falsa]

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.