Médico em foto com Lula é falsamente identificado como ‘irmão de Adélio Bispo’
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Médico em foto com Lula é falsamente identificado como ‘irmão de Adélio Bispo’

Imagem compartilhada no Facebook mostra o ortopedista Marcos Heridijanio, sem relação com a família do homem que esfaqueou Bolsonaro, ao lado do ex-presidente petista

Samuel Lima, especial para o Estado

26 de maio de 2020 | 17h06

Postagem falsa em circulação no Facebook utiliza a imagem de um médico pernambucano ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sugerir uma trama política na tentativa de assassinato do presidente Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018. O boato afirma que o homem retratado é o irmão de Adélio Bispo, autor da facada. No entanto, trata-se do ortopedista Marcos Heridijanio, que mora em Petrolina e não tem relação com a família.

O mesmo boato foi desmentido pelo Estadão Verifica em janeiro, só que com outra foto de Heridijanio. Assim como no caso anterior, a imagem foi retirada de uma página em que o médico divulgava sua candidatura a deputado federal em Pernambuco pelo PT nas eleições de 2018, e que hoje concentra comentários políticos. À época, Heridijanio publicou um vídeo em que mostra indignação com as publicações que o associam a Adélio Bispo.

Foto de médico pernambucano ao lado de Lula é usada de forma enganosa para associar petista a Adélio Bispo. Foto: Reprodução / Arte Estadão

O autor da facada tem quatro irmãos, e três nomes constam em reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo: Aldeir Ramos de Oliveira, Maria das Graças Oliveira e Maria Aparecida Ramos. O nome completo do médico cuja foto está circulando é Marcos Heridijanio Moura Bezerra — ele não tem nenhum dos sobrenomes de Adélio Bispo e de três dos seus quatro irmãos.

Além disso, o médico é natural de São José Do Belmonte, em Pernambuco, e mora em Petrolina, de acordo com perfil no Facebook. Adélio Bispo era natural de Montes Claros, Minas Gerais, e trabalhava como servente de pedreiro. Os familiares também residem na cidade mineira. Até a tarde desta terça-feira, 26, a postagem falsa tinha mais de 5,4 mil compartilhamentos no Facebook.

Caso Adélio Bispo voltou à tona com demissão de Moro

A saída conturbada do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, do governo trouxe novamente à tona o caso da tentativa de assassinato do presidente Jair Bolsonaro em 2018. Após as acusações de Moro de que Bolsonaro demitiu o ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo para intervir politicamente no órgão, o presidente justificou que desejava mudanças por uma suposta falta de empenho na investigação do caso: “A PF de Sérgio Moro mais se preocupou com Marielle do que com seu chefe supremo”, afirmou em pronunciamento.

Dois inquéritos da Polícia Federal apontaram que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho em um crime sem mandantes. A PF descartou a participação de agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou mesmo paramilitares em qualquer das fases do ato criminoso (cogitação, preparação e execução). Adélio Bispo foi considerado inimputável e absolvido de ação penal, mas permanece preso na Penitenciária Federal de Campo Grande. Em março, a Justiça autorizou sua transferência para hospital psiquiátrico de Barbacena, Minas Gerais, ainda pendente.

Esse boato foi desmentido por Aos Fatos, Agência Lupa, Fato ou Fake, AFP e Boatos.org.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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