Maratonas ocorreram presencialmente na China e em outros países neste ano

Maratonas ocorreram presencialmente na China e em outros países neste ano

Sem contexto, postagens enganam ao afirmar que chineses estariam aglomerando enquanto o ‘resto do mundo’ está em lockdown

Samuel Lima, especial para o Estadão

30 de abril de 2021 | 19h40

Circula nas redes sociais que a China estaria realizando maratonas enquanto o resto do mundo está em lockdown. Apesar de ser verdade que o país asiático tenha autorizado ao menos quatro eventos com milhares de pessoas em abril, as postagens enganam ao ignorar o fato de que outros países também promoveram corridas de rua em 2021 e que os chineses apresentam baixos níveis de contágio do novo coronavírus desde o ano passado. 

O Estadão Verifica identificou uma série de conteúdos virais no Twitter e no Facebook mostrando vídeos de maratonas nas cidades chinesas de Xiamen e Wuxi. “Maratona rolando na China. O resto do mundo em Lockdown. E a China crescendo 18%. Tirem suas próprias conclusões…”, afirma uma das versões mais compartilhadas. “Enquanto isso na China mega maratona… e você aí em casa feito um macaquinho acreditando no que falam na TV”, alega outra peça.

Sem contexto, postagens enganam ao afirmar que chineses estariam aglomerando enquanto o ‘resto do mundo’ está em lockdown. Foto: Reprodução Facebook / Arte: Estadão

Uma notícia publicada pela agência chinesa Xinhua confirma a realização do evento em Xiamen, no dia 10 de abril de 2021, com cerca de 12 mil participantes. A maratona de Wuxi ocorreu três dias depois, com 27 mil atletas, segundo o jornal China Daily. O Verifica ainda encontrou registros de outras duas corridas de rua na China em abril, realizadas nas cidades de Beijing e Shanghai.

Porém, a China não é o único país do mundo a ter permitido a realização de maratonas neste ano. No Japão, a Maratona Feminina de Nagoya reuniu 4.651 participantes em 14 de março. A cidade de Atlanta, nos Estados Unidos, também promoveu um evento presencial, com 5.400 participantes, em uma pista de automobilismo, no dia 28 de fevereiro. Também ocorreram provas menores e restritas a atletas de elite em algumas localidades, para possibilitar a conquista do índice olímpico.

A manutenção das corridas populares no primeiro semestre de 2021 tem sido uma exceção em meio à pandemia. As maratonas de Boston e de Londres, duas das provas mais tradicionais do mundo, ocorreriam em abril, mas foram adiadas para setembro e outubro, respectivamente. No Brasil, provas internacionais de São Paulo e Rio de Janeiro também já foram transferidas do primeiro para o segundo semestre do ano, diante do agravamento da pandemia no País.

Existem diferenças entre o cenário da pandemia na China em comparação com esses três países. De acordo com dados do centro de pesquisa da Universidade Johns Hopkins, o país asiático registrou 6.451 casos de covid-19 e 63 mortes desde o início do ano até esta quinta-feira, 29 de abril. Se considerado apenas o mês, os índices caem para 742 casos e 4 óbitos.

Desde o início do ano, o Brasil acumulou mais de 6,9 milhões de casos e 206.237 mortes pela doença. Apenas no mês de abril, 79.671 brasileiros morreram de covid-19, entre 1,8 milhão de novos casos, segundo o levantamento da Universidade Johns Hopkins. Foram 69.389 novos casos no Brasil nesta quinta-feira, enquanto Estados Unidos e Reino Unido registraram 58.199 e 2.459 novos contaminados em 24h, respectivamente.

Os posts checados também exageram ao afirmar que o “resto do mundo” estaria em lockdown. Além do fato de haver registros de corridas de rua em outros países neste ano, como demonstrado acima, dados da plataforma Our World In Data mostram que uma série de localidades com menor índice de contágio adotam níveis baixos ou praticamente nenhuma restrição de circulação de pessoas. Nova Zelândia, Arábia Saudita e Rússia são alguns exemplos.

A informação de que a China registrou crescimento econômico de 18% é verdadeira: o país asiático teve alta recorde de 18,3% no PIB (Produto Interno Bruto) no 1º trimestre de 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado. É preciso considerar, porém, que esse aumento ocorreu em cima de um resultado ruim no primeiro trimestre de 2020, quando a economia chinesa recuou 6,8% por conta das medidas de controle da pandemia.

Em relação a 2020, o país asiático foi um dos poucos em todo o mundo a apresentar crescimento, com evolução de 2,3% em relação ao ano anterior, como mostra essa reportagem do jornal Folha de S. Paulo. A notícia aponta que a China conseguiu controlar os surtos através de políticas como a testagem massiva da população e o rastreio de contatos dos contaminados e investiu o equivalente a 4,7% do PIB em um pacote fiscal de resgate para a economia.

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