É montagem resposta de Lula para Bolsonaro sobre sigilo de 100 anos

É montagem resposta de Lula para Bolsonaro sobre sigilo de 100 anos

Imagem com falsa interação entre pré-candidatos à Presidência foi tratada como 'meme' por usuário que questionou atual presidente na rede social

Clarissa Pacheco

02 de maio de 2022 | 15h31

É uma montagem a publicação que viralizou nas redes sociais nos últimos dias mostrando uma suposta interação no Twitter entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). A imagem viral mostra um tuíte de um usuário da rede chamado Lucas Elias Bernardino. Ele respondeu a uma postagem de Bolsonaro no da 13 de abril perguntando por que razão o presidente impõe sigilo de 100 anos em todos os assuntos “espinhosos/polêmicos” do mandato. No mesmo dia, Bolsonaro respondeu: “Em 100 anos saberá. 👍”. Já a suposta resposta de Lula, afirmando que o usuário saberia a resposta em “8 meses”, não é real.

A montagem que viralizou foi publicada no Twitter às 15h01 do dia 27 de abril de 2022 pelo artista Cristiano Siqueira, que usa o nome de usuário @crisvector. No mesmo dia, ele respondeu ao próprio post informando que a interação não era verdadeira. “Gente é montagem. Só pra deixar registrado”, escreveu. Pouco antes dele, às 14h25 de 27 de abril, um perfil chamado @AgendaDoJair compartilhou a mesma montagem no Twitter e acrescentou, em seguida: “Gente, é fake”. Embora as duas contas no Twitter tenham publicado o aviso, a montagem também foi publicada no Instagram, sem indicação de que a interação entre os dois pré-candidatos à Presidência é falsa.

O autor do tuíte verdadeiro e que realmente foi respondido por Bolsonaro, Lucas Elias Bernardino, também publicou em seu Twitter afirmando que a montagem com a “resposta” de Lula era um meme. “Presidente @LulaOficial, não sei se é pedir muito, mas bem que o senhor (ou sua equipe) poderia fazer esse “meme” acontecer. Agradecido!

‘Tudo é 100 anos’

O tuíte de Bernardino e a resposta de Bolsonaro são verdadeiros e foram noticiados por diversos veículos de imprensa (1, 2, 3, 4, 5). No entanto, não há registros de interação nos últimos 3,2 mil tuítes de Lula e de Bolsonaro, de acordo com a ferramenta Tweet Beaver.

Apesar de não ter realmente respondido ao tuíte de Bolsonaro, Lula comentou na semana passada sobre os sigilos impostos pelo atual presidente. Em entrevista a youtubers no dia 26 de abril, o petista disse que vai “dar um jeito” no sigilos: “Ele [Bolsonaro] vive de favor, fazendo os seus decretos-lei, transformando qualquer coisinha que os filhos dele façam num sigilo de 100 anos, tudo é 100 anos. Agora, nós vamos dar um jeito nisso, se preparem que nós vamos dar um jeito nisso”, disse durante a entrevista. O trecho da fala foi postado no perfil de Lula no Instagram com uma legenda: “É preciso quebrar o sigilo de 100 anos”.

O que está em sigilo

A pergunta do usuário do Twitter sobre o segredo em assuntos espinhosos para o mandato de Jair Bolsonaro foi feita depois de o Palácio do Planalto decretar sigilo sobre os encontros entre o presidente e os pastores lobistas do Ministério da Educação (MEC), Gilmar Santos e Ailton Moura. Os encontros do presidente com o líder do PL, Valdemar Costa Neto, também são sigilosos.

Em 2021, o Exército impôs sigilo de 100 anos sobre a sindicância aberta para investigar a participação do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, em ato de apoio ao presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Em janeiro de 2021, o Palácio do Planalto também decretou um século de sigilo sobre as informações do cartão de vacinação de Bolsonaro. Ele negou que houvesse sigilo. Também há sigilo sobre o acesso dos filhos de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Este conteúdo também foi verificado pelo Aos Fatos, UOL Confere e Fato ou Fake.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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