Lewandowski nunca fez parte do grupo MR-8; boato acusa ministro de ter sido ‘terrorista’
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Lewandowski nunca fez parte do grupo MR-8; boato acusa ministro de ter sido ‘terrorista’

Mentira nas redes diz que magistrado do STF participou de movimento que organizou sequestro de embaixador americano em 1969

Alessandra Monnerat e Caio Sartori

03 Julho 2018 | 11h01

Ministro Ricardo Lewandowski durante sessão do STF. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski tem sido alvo de boataria que toma conta do WhatsApp. O Estadão Verifica recebeu várias vezes, por meio do número (11) 99263-7900, uma imagem que associa o magistrado a guerrilheiros do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) que fizeram parte da resistência à ditadura militar. Lewandowski, no entanto, não fez parte do grupo e não está na foto espalhada pela rede.

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A foto mostra os militantes do MR-8 que foram soltos em troca da libertação do embaixador norte-americano Charles Elbrick, sequestrado pelo grupo em parceria com a Aliança Libertadora Nacional (ALN). Na imagem estão, ainda jovens, o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado federal Vladimir Palmeira e o jornalista Flávio Tavares. A pessoa que o boato acusa de ser o ministro do Supremo é, na verdade, o músico Ricardo Villas Boas.

No boato, o nome do ministro aparece escrito de forma errada, com um ‘i’ depois do último ‘w’. E a imagem ainda cita uma data anterior à da libertação: 23 de maio de 1965. Os presos foram soltos no dia 6 de setembro de 1969, dois dias depois do sequestro. Esses tipos de erro — acompanhados da ausência de fontes confiáveis — são comuns nas mentiras espalhadas nas redes sociais.

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A mentira sobre Lewandowski é antiga. Em 2016, quando o ministro era presidente do STF, o movimento Avança Brasil publicou a montagem falsa em seu Twitter. No Facebook, posts com a mesma imagem circularam na mesma época.

O sequestro. Charles Elbrick foi sequestrado em 4 de setembro de 1969 como forma de pressionar o regime a libertar presos políticos. Entre os principais articuladores estavam Franklin Martins, que depois viria a ser chefe da Secretaria de Comunicação Social no governo Lula, e o jornalista Cid Benjamin. O jornalista e político Fernando Gabeira também participou da ação.

O sequestro e a libertação dos 15 presos ocorreram no Rio de Janeiro. Na época, Lewandowski era estudante universitário em São Paulo, onde se formou, em 1971, em Ciências Sociais e Políticas na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). O ministro também se graduou em 1973 em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, como mostra seu currículo, publicado no site do STF.

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Veja abaixo quem foram os presos libertados em troca da soltura do embaixador Charles Elbrick e como o Estado noticiou a lista dos guerrilheiros no dia 6 de setembro daquele ano:

Página do Estado de 6 de setembro de 1969. Foto: Acervo Estadão.

Luís Travassos, José Dirceu, José Ibrahim, Onofre Pinto, Ricardo Villas Boas, Maria Augusta Carneiro, Ricardo Zarattini, Rolando Frati, João Leonardo Rocha, Agonalto Pacheco, Vladimir Palmeira, Ivens Marchetti, Flávio Tavares, Gregório Bezerra e Mário Roberto Zanconato.