Vídeo de mar invadindo pista no Leblon é de 2016, sem relação com tempestade Yakecan

Vídeo de mar invadindo pista no Leblon é de 2016, sem relação com tempestade Yakecan

Gravação mostra água do mar chegando à Avenida Delfim Moreira, em frente ao posto 11, em outubro de 2016

Alessandra Monnerat

23 de maio de 2022 | 13h29

Um vídeo gravado à noite em frente ao Posto 11, no Leblon, no Rio de Janeiro, mostra a água do mar invadindo a pista em frente à praia. Mas a filmagem não é recente, diferentemente do que dizem postagens nas redes sociais. O vídeo foi gravado em outubro de 2016.

Para encontrar o vídeo original, buscamos pelas palavras-chave “mar invade pista no Leblon”. Um dos resultados é esta publicação do portal de notícias G1, datada de 5 anos atrás. Ao procurar por outros resultados de 2016, encontramos uma reprodução do mesmo vídeo no YouTube, de outubro daquele ano. É possível ver um táxi e um carro branco alcançados pela água do mar; os mesmos veículos aparecem no vídeo postado recentemente.

Segundo reportagem do RJTV da época, a orla do Leblon foi afetada por uma ressaca na madrugada entre 29 de 30 de outubro. A água do mar chegou a invadir os prédios da Avenida Delfim Moreira e deixou um rastro de areia. Quiosques tiveram bens danificados.

O Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR) também desmentiu que as imagens do mar invadindo a orla sejam recentes. Na sexta-feira, 20, o órgão publicou uma foto da Avenida Delfim Moreira na noite anterior. Ao Estadão Verifica, o COR confirmou que “houve ressaca na orla do Rio, mas a água do mar não chegou a invadir as pistas”.

Na semana passada, o ciclone subtropical Yakecan causou ressaca no litoral gaúcho. Um veículo chegou a ser carregado pelas águas na praia do Hermenegildo, no litoral Sul.

A AFP também publicou uma checagem sobre este vídeo.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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