Foto de jovem trans é falsamente associada a atirador de escola no Texas

Foto de jovem trans é falsamente associada a atirador de escola no Texas

Imagens de mulher trans usando saia foram compartilhadas com legendas falsas após ataque nos Estados Unidos

Alessandra Monnerat

28 de maio de 2022 | 17h06

Fotos de uma jovem usando saia têm sido compartilhadas nas redes sociais com a afirmação falsa de que se trata de Salvador Rolando Ramos, atirador de 18 anos que matou 21 pessoas em uma escola no estado americano do Texas na última terça-feira, 24. Na verdade, as fotografias são de uma mulher transgênero chamada Sam, de 20 anos, que mora na Geórgia, nos Estados Unidos.

Sam publicou as fotos usando saia em uma conta no Instagram. Depois de ter sido falsamente identificada como o atirador do Texas, ela postou uma outra foto, segurando um papel com a data 25 de maio de 2022. “Prova de que não sou o atirador morto no Texas”, escreveu na legenda.

Salvador Ramos abriu fogo contra uma escola primária em Uvalde, no Texas, no dia 24 de maio. Ele matou 19 crianças e duas professoras e foi morto no local.

Em entrevista ao canal norte-americano NBC, Sam disse que sofreu assédio online depois de ter sido falsamente relacionada ao atirador. “Não é a primeira vez que sou assediada, mas é a primeira vez que sou acusada de assassinato”, disse.

Segundo a NBC, as fotos de Sam começaram a circular na rede social 4chan. O boato de que ela seria o atirador do Texas ganhou impulso com o compartilhamento de figuras conservadoras dos EUA, como o radialista Alex Jones e o deputado Paul Gosar.

A ONG Trans Safety Network, de apoio a pessoas transgênero, afirmou que ao menos outras duas mulheres trans foram falsamente identificadas online como Salvador Ramos. Não há qualquer evidência de que o jovem se identificasse como transgênero.

Aos Fatos, AFP e Fato ou Fake também publicaram checagens sobre esse assunto.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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