Foto de incêndio em posto de gasolina, em 2013, é tirada de contexto nas redes

Foto de incêndio em posto de gasolina, em 2013, é tirada de contexto nas redes

Imagem é compartilhada como se mostrasse ação de facção criminosa contra preço dos combustíveis

Pedro Prata

03 de novembro de 2021 | 14h00

Circula fora de contexto nas redes sociais a foto de um caminhão pegando fogo em um posto de combustíveis. Postagens no Facebook com referências a diferentes Estados — o Estadão Verifica encontrou alegações de que a ocorrência seria em Mossoró (RN), Ceará e Santa Catarina — alegam que uma facção criminosa teria começado a atacar postos por conta do alto preço dos combustíveis. Na verdade, a foto mostra um incêndio em Imperatriz (MA), em 2013.

Caminhão tanque pegou fogo enquanto abastecia um posto de combustível, em 2013. Foto: Reprodução

Para identificar a origem da imagem, o Estadão Verifica utilizou o mecanismo de busca reversa do Google. A ferramenta permite ver onde a imagem foi publicada anteriormente. Veja aqui como fazer você mesmo a busca reversa.

A primeira vez em que a foto foi publicada foi no portal Folha do Bico, de Tocantins. O site afirma que a imagem é de um incêndio em um posto de combustível em Imperatriz (MA), em 2013. O fogo teria começado quando um caminhão tanque abastecia o posto, segundo testemunhas da cena. Os bombeiros não informaram a causa do incêndio até a publicação do texto. O portal G1 também noticiou o incêndio, com uma foto diferente.

Foto: Folha do Bico/Reprodução

A alta dos combustíveis afeta de modo generalizado a inflação e é tema de desinformação nas redes sociais. A notícia de que criminosos estariam ameaçando donos de postos passou a circular nas redes sociais inicialmente no Amazonas, mas depois se espalhou para o Rio Grande do Norte e outros Estados.

O portal Em Tempo, de Manaus, informou que o sindicato do comércio varejista de derivados do petróleo local disse que “tudo indica se tratar de fake news” e que a Polícia estaria investigando. A Secretaria de Segurança Pública não se manifestou.

Já o jornal Tribuna do Norte, do Rio Grande do Norte, procurou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social. Em nota, a pasta informou que verifica a veracidade das postagens e que não há confirmação de que teriam realmente sido enviadas por uma facção criminosa.

Estadão Verifica entrou em contato com as duas secretarias para confirmar as informações, mas não houve resposta.

Não é a primeira vez que a imagem é utilizada fora de contexto. Em 2018, o jornal O Povo desmentiu que a foto mostrasse um protesto de caminhoneiros contra o retorno do estoque e venda de combustíveis em Jaguaribara (CE).


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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