Vídeo antigo de granizo em Pirassununga (SP) viraliza fora de contexto

Vídeo antigo de granizo em Pirassununga (SP) viraliza fora de contexto

Postagens resgatam imagens sem dizer a data da gravação e usuários entendem se tratar de situação recente

Pedro Prata

24 de maio de 2022 | 17h22

Atualizada às 17h57 de 24 de junho de 2022.

Um vídeo da rodovia Anhanguera coberta de granizo, em 2021, circula fora de contexto nas redes sociais. Ele foi compartilhado com legendas como “Olha como está a rodovia Anhanguera de Pirassununga” e, sem a indicação de quando foi gravado, leva os usuários a acreditarem que é da recente onda de frio que atingiu parte do País. A concessionária da rodovia e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) negaram que a queda de granizo na região seja atual.

Vídeo é de 2021, mas foi resgatado sem o verdadeiro contexto. Foto: Reprodução

O primeiro indício de que se trata de um conteúdo enganoso é que nenhum veículo de comunicação profissional noticiou o fenômeno. Ao realizar uma busca com as palavras-chave “granizo + anhanguera + pirassununga”, a notícia mais recente é do jornal Folha de S. Paulo. Em 9 de outubro de 2021, um tornado derrubou árvores e destelhou casas em Pirassununga. O jornal também registrou a ocorrência de granizo na região. A destruição também foi noticiada pelo portal G1.

O vídeo compartilhado recentemente tem uma marca d’água do aplicativo Kwai e um nome de usuário. Ao procurar pelo vídeo na rede social, é possível ver que ele foi publicado em outubro de 2021.

Vídeo foi postado no Kwai em outubro do ano passado. Foto: Kwai/Reprodução

Por meio de nota, a concessionária Arteris, responsável pela rodovia mostrada nas imagens, disse que o vídeo é real e foi gravado em 2021. “De acordo com o time da concessionária Intervias, que administra o trecho da SP-330 que passa pela cidade de Pirassununga, o vídeo é real, resultado da forte tempestade de granizo ocorrida na região em09 de outubro do ano passado.”

O Inmet confirmou que o vídeo foi gravado em outubro de 2021. Disse que na semana de maio em que algumas postagens alegam que as imagens teriam sido gravadas “não havia condições minimamente remotas para evento de granizo, tampouco para neve” em Pirassununga.

A tempestade Yakecan, que causou destruição no Sul do País e baixou as temperaturas em grande parte do País, também gerou uma onda de desinformação. O Estadão Verifica mostrou que o vídeo de um furacão na República Tcheca foi compartilhado como se fosse no Rio Grande do Sul. Outro vídeo, este do mar invadindo uma pista no Leblon, em 2016, também circulou como se estivesse relacionado à tempestade.

Aos Fatos, Fato ou Fake, UOL Confere e Boatos.org também checaram o conteúdo analisado.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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