Gráfico enganoso aponta valor menor de orçamento para publicidade do governo federal
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Gráfico enganoso aponta valor menor de orçamento para publicidade do governo federal

Informação incorreta circula em boato enviado por leitores ao WhatsApp do Estadão Verifica, (11) 99263-7900

Alessandra Monnerat, Caio Sartori e Paulo Roberto Netto

29 de março de 2019 | 17h09

Jair Bolsonaro, presidente da República Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

Diferentemente do que informa um gráfico que circula no WhatsApp e nas redes sociais, o valor orçado para gastos em publicidade da União para 2019 não é de R$ 150 milhões, e sim de R$ 478,7 milhões. A verba autorizada deste ano tem R$ 30 milhões a mais do que a do anterior, quando foram previstos gastos de R$ 448,3 milhões. Leitores enviaram o conteúdo para checagem ao Estadão Verifica, no número (11) 99263-7900.

As cifras estão corrigidas de acordo com o índice IPCA, que mede a inflação. O boato diz que o suposto corte na verba de publicidade seria motivação para “ataques” da imprensa contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL). A conclusão não faz sentido, uma vez que o orçamento para este ano foi aprovado pelo Congresso em dezembro de 2018. Em 16 de janeiro, o presidente sancionou a lei orçamentária anual de 2019, com apenas dois vetos. Nenhum deles diz respeito a verbas de publicidade.

Apesar de enumerar valores corretos de gastos de publicidade de gestões anteriores, o gráfico está errado. Os dados foram reunidos pelo Instituto de Acompanhamento da Publicidade (IAP), responsável pelo monitoramento deste tipo de despesa até março de 2017. O último levantamento feito pelo órgão aponta despesas de R$ 4,8 bilhões entre 2000 a 2002 e R$ 29,7 bilhões entre 2003 a 2016, último ano analisado. Não há dados referentes aos anos de 2017 e 2018, como aponta o gráfico falso.

Os números de gastos de publicidade de gestões anteriores também não podem ser comparados com o valor indicado no orçamento autorizado para 2019. Isso porque a cifra de R$ 478,7 milhões diz respeito apenas a gastos diretos da administração. Os valores relativos aos anos 2000 a 2016 também incluem verbas da administração indireta, o que inclui empresas públicas, fundações e autarquias.

Além disso, por se tratarem de períodos de tempo diferentes, é descabido comparar a soma dos gastos de publicidade de todo o período dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e de Dilma Rousseff (2011-2016), os últimos três anos da administração de Fernando Henrique Cardoso (2000-2002) e o primeiro ano de Bolsonaro no poder. Outro erro é ignorar que, de 2016 a 2018, a presidência não era do PT, e sim do emedebista Michel Temer.

Para uma análise mais correta, valeria colocar lado a lado apenas o gasto com publicidade no primeiro ano de cada governo. Nesse caso, segundo dados do portal SIGA Brasil, do Senado Federal, a ordem de gastos mais elevados seria: Dilma (R$ 712,5 milhões, 2011); Bolsonaro (R$ 478,7 milhões, 2019) e Lula (R$ 309,7 milhões, 2003). Temer (R$ 447,7 milhões, 2016) não entraria na lista pois assumiu a presidência no meio do ano; não há dados disponíveis na base do Senado sobre o primeiro ano de FHC.

Essa checagem também foi feita pela Agência Lupa.

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