Postagem engana ao relacionar Bolsonaro com ação judicial contra a Globo

Postagem engana ao relacionar Bolsonaro com ação judicial contra a Globo

Emissora foi multada pelo Procon por ‘propaganda enganosa’ sobre o programa de assinatura Premiere

Pedro Prata

27 de setembro de 2021 | 10h57

Um post no Facebook engana ao associar o presidente Jair Bolsonaro a uma notícia de que a Globo perdeu uma ação milionária na Justiça por propaganda enganosa. O uso da imagem do presidente leva as pessoas a pensar que a decisão tem algo a ver com ele, mas na verdade é sobre um pacote de assinatura para assistir a jogos de futebol.

Esse post teve ao menos 6,2 mil compartilhamentos. Nos comentários, é possível ver como os usuários interpretam a postagem. “Fake news é propaganda enganosa e tem mesmo que ser reprimida. Qual foi a dessa vez?”, questiona uma usuária. Outro opina que a Globo “Planta mentiras e pensa que engana a grande maioria dos brasileiros, aí tem de colher o que planta mesmo”.

Ação judicial não tem ligação com o presidente Bolsonaro. Foto: Reprodução

Na verdade, a decisão da Justiça de São Paulo manteve uma multa de R$ 9,9 milhões do Procon à Globo por propaganda enganosa relacionada a canais de futebol. O órgão de defesa do consumidor considerou que a emissora “não informou os assinantes do canal Premiere sobre a redução na quantidade de jogos transmitidos do campeonato brasileiro de 2019”.

Na decisão, antecipada pelo jornalista Rogério Gentile, do portal UOL, e confirmada pelo Estadão Verifica, não há nenhuma menção a Bolsonaro. A juíza Liliane Keyko Hioki, da 6ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, julgou que “tem razão o Procon, eis que ao veicular publicidade noticiando que os assinantes daquele serviço teriam acesso a todos os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol/2019, transmitiu aos consumidores a ideia que teriam acesso realmente a todos os jogos, sem exceção”. O problema é que a emissora não fechou acordo para transmitir as partidas de Palmeiras e Athletico Paranaense.

Documento

A Globo alegava que “sempre buscou levar de forma clara e precisa aos seus assinantes e ao público em geral” as informações sobre a transmissão dos jogos pelo Premiere. Também justificou que a maior parte das propagandas colhidas pelo Procon teriam sido exibidas em 2018, quando “anunciou e exibiu todos os jogos do Campeonato Brasileiro”. A juíza não aceitou os argumentos.

O presidente Jair Bolsonaro faz constantes ataques a veículos de comunicação profissionais e independentes, estimulando seus seguidores a fazerem o mesmo. O uso de sua imagem no post leva a entender que a ação judicial estaria ligada à cobertura jornalística da Globo — o que é falso.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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