É falso que comandante dos Fuzileiros Navais dos EUA tenha ido contra vacina obrigatória

É falso que comandante dos Fuzileiros Navais dos EUA tenha ido contra vacina obrigatória

General David H. Berger postou foto recebendo injeção e reforçou importância da vacinação para militares; agentes que não se imunizarem até o fim do mês serão desligados da corporação

Alessandra Monnerat

17 de novembro de 2021 | 15h53

É falso que o comandante dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, David H. Berger, tenha se posicionado contra a vacinação obrigatória de militares em um telefonema ao secretário de Defesa norte-americano, Lloyd Austin. Circula no WhatsApp um texto que afirma que o general teria dito que “se você tentar vacinar à força mesmo um dos meus fuzileiros navais, é melhor vir armado” — o que não é verdade.

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Vacinação contra a covid na base de Quantico, na Virgínia. Foto: U.S. Marine Corps photo by Pfc. Kayla LaMar

O texto começou a circular em agosto, divulgado por um site conhecido por publicar notícias falsas. Segundo a narrativa fantasiosa, o general Berger teria ligado para Austin depois do anúncio feito pelo Pentágono de que a vacinação seria obrigatória para todos os militares. O comandante dos fuzileiros navais teria afirmado que a medida não se estenderia à sua divisão e que a vacina era “potencialmente perigosa”. O texto afirma ainda que Berger chamou Austin de “covarde” e “traidor”.

Nada disso é verdade. Em nota ao jornal USA Today e às agências Reuters e AFP, o Corpo de Fuzileiros Navais desmentiu o boato, afirmando que o texto era “satírico” e que não era “factual ou preciso”.  

Além disso, não há qualquer registro de declarações públicas de Berger contra a vacinação. Em dezembro de 2020, ele tuitou uma foto da injeção que recebeu contra covid. “Foi ótimo ver muitos profissionais da área médica recebendo suas vacinas também”, escreveu ele. “Assim que a vacina for disponibilizada, encorajo todos os fuzileiros navais e suas famílias a tomarem a vacina para retardar a propagação do vírus”.

Em novembro, em entrevista ao veículo Marine Times, ele culpou a desinformação online pela não adesão de alguns fuzileiros à vacinação contra covid. Berger afirmou ainda que a obrigatoriedade em se imunizar não é nova para a corporação. Segundo ele, recusar-se a tomar a vacina vai contra a missão dos militares. 

“Temos que estar prontos para a ação, o tempo todo”, disse. “Somos a força de prontidão, temos que estar prontos para a ação. Só para passar pelo campo de treinamento, é preciso tomar 12 vacinas”.

Os fuzileiros têm até o dia 28 de novembro para se vacinar; caso não atendam ao prazo, serão dispensados. No início do mês, 88% dos militares da ativa estavam completamente imunizados, e 93% já tinham começado o esquema vacinal. Entre os reservistas, 56% estão completamente vacinados, e 69% tinham tomado apenas uma dose de imunizante.

Berger defendeu sanções àqueles que não se vacinarem. “É preto no branco. Devemos nos proteger”, disse ao Marine Times.

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