Fotos de ‘piscina’ no Rio São Francisco são de 2017, e não têm relação com obras atuais
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Fotos de ‘piscina’ no Rio São Francisco são de 2017, e não têm relação com obras atuais

Imagens viralizaram no Facebook; comentários parabenizavam governo de Jair Bolsonaro

Estadão Verifica

07 de julho de 2020 | 21h35

Fotos que viralizaram recentemente no Facebook mostram pessoas tomando banho em um canal da transposição do Rio São Francisco. As imagens, no entanto, são de 2017, e não têm relação com a obra inaugurada pelo presidente Jair Bolsonaro no fim de junho. Uma das postagens com as fotos, que recebeu mais de 22 mil compartilhamentos, traz a seguinte legenda: “a transposição do Rio São Francisco virou piscinas enormes no meio da caatinga”. Os comentários no post atribuem o “feito” à gestão de Bolsonaro.

As fotos, na verdade, foram tiradas durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), após a inauguração de outra parte do projeto. Por meio da ferramenta de pesquisa reversa de imagens do Google, encontramos a publicação original das imagens no blog Sertânia Vip, do Estado de Pernambuco, que atualmente está desativado. Outros portais da região também postaram as fotos com créditos aos autores do blog, a exemplo do Surubim News e O Pipoco. 

Publicações em blogs locais (1, 2) afirmam que as imagens mostram a população de Sertânia, em Pernambuco, aproveitando a chegada da água do Velho Chico, que naquela época, encheu um reservatório localizado no Eixo Leste. A inauguração feita por Bolsonaro ocorreu no Eixo Norte. Ele acionou as comportas da barragem de Milagres, na cidade de Verdejantes, também em Pernambuco. A distância entre Verdejantes e Sertânia é de 208 quilômetros. 

A entrega do trecho da transposição do São Francisco motivou diversas publicações enganosas nas redes sociais. O Estadão Verifica checou duas imagens que circulavam no Facebook com a intenção de comparar a evolução das obras do Eixo Norte entre os governos do PT e a gestão de Bolsonaro; na verdade, nenhuma das imagens representava a obra citada.  

Fotos de soldados em uma obra da transposição também foram tiradas de contexto para parecer que foram tiradas durante o atual governo. Na verdade,  são de 2011, no período do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O Comprova também checou um boato sobre a transposição que circulou pelo WhatsApp. O texto enganoso afirmava que o Exército Brasileiro teria refeito um trecho da transposição inaugurado por Temer, Lula e Dilma, o que não é verdade.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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