Fotos de drogas e armas apreendidas não foram tiradas em acampamento do MST
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Fotos de drogas e armas apreendidas não foram tiradas em acampamento do MST

Boato enviado ao WhatsApp do Estadão Verifica (11-99263-7900) também faz falsa acusação contra líder sem-terra morto

Alessandra Monnerat

22 de janeiro de 2019 | 05h00

Fotos de drogas e armas apreendidas foram falsamente atribuídas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em mensagens enviadas ao WhatsApp do Estadão Verifica (11-99263-7900). As imagens, na verdade, são de duas ocorrências policiais diferentes: uma em Descalvado, e outra em Paraguaçu Paulista, ambas cidades no Estado de São Paulo. As duas foram registradas em março de 2018.

Bruno Maranhão, morto em 2014, também foi alvo do boato. Foto: Epitácio Pessoa/AE

Não é complicado descobrir o contexto real das fotos. Ao fazer uma busca com as palavras-chave “drogas” “armas” e “Descalvado”, um dos primeiros resultados é uma reportagem do portal G1 que mostra que a apreensão dos itens fotografados está relacionada à prisão de uma quadrilha especializada em roubar, adulterar e vender veículos. Não há menção ao MST no texto.

Também é usar a ferramenta de busca reversa do Google (veja aqui como usar) para verificar em quais sites as fotos foram publicadas. Dessa forma, encontra-se outra reportagem do G1, desta vez sobre a apreensão de um avião agrícola carregado com mais de 990 quilos de maconha em tijolos. Novamente, o MST não é citado no caso.

O pacote de imagens do boato também inclui uma foto de Bruno Maranhão, ex-líder do Movimento da Libertação dos Sem Terra (MLST) e um dos fundadores do PT. No entanto, ele não poderia estar ligado às apreensões ocorridas no ano passado pois está morto desde 2014.

O contexto das imagens também foi esclarecido pelo site Boatos.Org em duas ocasiões, em março e maio de 2018. No Facebook e no Twitter, postagens recentes requentaram o boato, atingindo 15 mil visualizações e 6 mil curtidas.

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